Em fevereiro de 2024, trabalhadores em São Paulo

Em fevereiro de 2024, trabalhadores em São Paulo despenderam 115 horas e 45 minutos para comprar a cesta básica, o maior tempo entre as capitais brasileiras, segundo o relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A pesquisa aponta que mais da metade do salário mínimo é comprometida com alimentação na capital paulista.
A pesquisa analisa as horas de trabalho necessárias para adquirir os alimentos básicos em cada capital do país. São Paulo lidera o ranking, seguida pelo Rio de Janeiro, com 112 horas e 14 minutos, e Florianópolis, com 108 horas e 14 minutos. Na outra extremidade, Aracaju é a capital onde menos tempo é exigido, com 76 horas e 23 minutos de trabalho para comprar a cesta básica.
O levantamento também revela que, em média, 46,13% do salário mínimo líquido foram usados para a compra da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas em fevereiro. O valor considera o salário mínimo com desconto de 7,5% da contribuição previdenciária.
São Paulo apresenta o maior comprometimento da renda, com 56,88% do salário mínimo destinado aos alimentos, enquanto Aracaju registra o menor, com 37,54%. Esses dados refletem as desigualdades regionais no custo de vida referentes à alimentação.
O relatório ainda estima o salário mínimo necessário para que uma família cubra suas despesas básicas com alimentação, que deveria ser de R$ 7.164,94 em fevereiro de 2024. Esse valor corresponde a quase quatro vezes o piso atual de R$ 1.621.
O cálculo considera o custo da cesta básica mais cara do país naquele mês, que foi a de São Paulo. O estudo aponta a necessidade de políticas públicas para enfrentar o elevado custo de vida nas capitais brasileiras, especialmente no que diz respeito à alimentação.
Além disso, especialistas alertam que o conflito no Oriente Médio pode impactar o preço dos alimentos no Brasil, uma vez que afeta cadeias produtivas globais e custos de importação, potencialmente elevando ainda mais o valor da cesta básica.
A pesquisa da Conab e do Dieese oferece uma análise importante para compreender a relação entre renda e custo alimentar no Brasil e serve como referência para futuros debates sobre políticas salariais e de segurança alimentar.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com