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Um júri em Los Angeles avalia nesta semana se a Meta e o Google são responsáveis pelo impacto das redes sociais na saúde mental de jovens usuários, após relatos de uso excessivo que levaram a consequências graves, incluindo mortes. O julgamento envolve o caso de Kaley, uma jovem que passou até 16 horas diárias no Instagram, e representa um processo pioneiro que pode influenciar mais de dois mil processos semelhantes nos Estados Unidos.
Kaley relatou em tribunal que costumava usar o Instagram constantemente, acordando no meio da noite para checar notificações e passando horas na plataforma logo ao despertar. Ela afirmou que chegou a se distanciar da família por causa do tempo gasto nas redes sociais. A Meta e o Google, proprietários do Instagram e do YouTube respectivamente, são acusados de projetar essas plataformas para serem viciantes, contribuindo para problemas de saúde mental em adolescentes.
Os pais de jovens vítimas acompanham o julgamento com expectativa. Lori Schott, cuja filha Annalee cometeu suicídio aos 18 anos, afirmou que a exposição da filha a conteúdos nocivos no Instagram, mesmo com a empresa ciente dos riscos, foi decisiva para a tragédia. Outro pai, Aaron Ping, narrou o impacto do uso excessivo do YouTube na vida do filho Avery, que se suicidou aos 16 anos.
Durante o processo, foi enfatizado o debate sobre se o uso intenso de redes sociais configura vício ou comportamento problemático. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, afirmou que 16 horas diárias na rede social indicam um uso problemático, mas não necessariamente dependência. A Meta ressaltou que problemas pessoais e familiares têm papel crucial nas dificuldades de Kaley, e que a empresa proíbe usuários menores de 13 anos.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, prestou depoimento pela primeira vez em tribunal nesse tipo de caso. Ele afirmou que a empresa tenta impedir o acesso de menores de idade e disse não entender os questionamentos sobre o design viciante das plataformas. Para Zuckerberg, o foco da Meta é construir serviços úteis e tentar remover usuários que violam a idade mínima.
Kaley contou à corte que começou a usar o YouTube aos seis anos e o Instagram aos nove. Para se sentir valorizada, criou várias contas visando curtidas e interação, e consumia conteúdo por horas. Ela também desenvolveu dismorfia corporal, uma preocupação excessiva com a aparência, agravada pelo uso de filtros do Instagram. O diagnóstico de ansiedade e depressão começou por volta dos 10 anos.
Os advogados da Meta argumentaram que a saúde mental de Kaley é influenciada por vários fatores, incluindo o ambiente familiar, no qual ela sofria críticas e abusos. Eles destacaram que não há diagnóstico oficial para dependência de redes sociais. A defesa contestou a alegação de que as plataformas foram feitas para causar vício, apontando que Kaley tinha escolhas sobre o uso.
O julgamento é pioneiro e pode redefinir a responsabilidade legal das redes sociais em casos de danos psicológicos a jovens. Se o júri condenar as empresas, poderá abrir precedentes para indenizações e influenciar processos relacionados que tramitam nos tribunais americanos. Mesmo que a decisão não seja favorável aos autores da ação, o caso fortalece a discussão pública e política sobre o papel das plataformas digitais na saúde mental das crianças e adolescentes.
Atualmente, pais e especialistas alertam para o aumento de problemas emocionais e suicídios ligados ao uso intenso das redes sociais, levando a restrições no acesso para menores em alguns locais. Enquanto isso, Kaley segue usando as plataformas e manifesta interesse em carreira na área de gestão de mídias sociais, mas reconhece que sua vida poderia ser diferente sem a influência dessas redes.
Palavras-chave: julgamento Meta, uso excessivo redes sociais, saúde mental jovens, Instagram, Google, vício em redes sociais, dismorfia corporal, suicídio adolescente, processo judicial redes sociais, responsabilidade plataformas digitais.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com