Vídeos de turistas posando em lajes da Rocinha

Vídeos de turistas posando em lajes da Rocinha, a maior favela do Rio de Janeiro, viralizaram nas redes sociais e geraram debates sobre a romantização da pobreza. A gravação feita por drone mostra turistas se preparando para as filmagens e a vista aérea da comunidade, que atrai visitantes interessados em registrar imagens da favela.
O fenômeno ocorre em um momento em que o Rio de Janeiro registra números recordes de turistas. Algumas pessoas chegam a esperar até duas horas para se filmar por valores a partir de R$ 150. Além da busca por imagens, houve até um pedido de casamento no local.
O sucesso dos vídeos despertou críticas nas redes sociais. Comentários acusam os turistas de romantizar a pobreza e ignorar a violência e o tráfico de drogas que afetam a comunidade. Renan Monteiro, fundador da empresa Na Favela Turismo, explica que o objetivo é combater o preconceito e mostrar um lado positivo da favela.
Os passeios são realizados por meio de tours guiados que percorrem labirintos de becos, permitindo que visitantes conheçam a rotina dos moradores, artistas locais e atividades culturais, como a capoeira. Só assim é possível ter acesso às lajes para as filmagens.
Monteiro destaca que a Rocinha tem uma imagem associada à violência e ao perigo, mas garante que para muitos turistas a experiência é diferente. Gabriel Pai, visitante da Costa Rica, afirmou ter sido encantador ver o ambiente da favela durante o passeio.
A influenciadora brasileira Ingrid Ohara, com milhões de seguidores no Instagram e TikTok, também participou do vídeo viral. Ela ressaltou que os conteúdos destacam a cultura local e mostram o Rio de Janeiro para o mundo.
Nos primeiros anos, o turismo na Rocinha ganhou fama negativa devido a casos de violência. Em 2017, uma turista espanhola foi assassinada durante um tiroteio, fato que paralisou a atividade. Para garantir segurança, Renan Monteiro e líderes comunitários desenvolveram rotas turísticas com acompanhamento via aplicativo para evitar visitas durante operações policiais.
Além disso, cerca de 300 guias locais e dez pilotos de drone foram formados para conduzir os passeios e produzir os vídeos. O jovem piloto Pedro Lucas afirmou que o trabalho mudou sua vida, proporcionando faturamento e oportunidades na favela.
Os proprietários das 26 lajes e terraços que se tornaram pontos de filmagem cobram pelos acessos, beneficiando diretamente moradores e estabilizando a relação comércio-comunidade.
O turismo no Rio alcançou recorde em 2026, com quase 290 mil visitantes internacionais apenas em janeiro, segundo a Embratur. Na Favela Turismo registrou 41 mil visitantes entre a Rocinha e o vizinho Vidigal em fevereiro.
Moradores como Claudiane Pereira dos Santos valorizam o fluxo turístico. Ela destaca que a favela não é apenas associada à criminalidade, mas abriga trabalhadores e pessoas comuns.
Especialistas alertam para os riscos do turismo transformar a favela em um “contraste exótico”. Cecília Oliveira, do Instituto Fogo Cruzado, lembra que a favela é uma comunidade viva, com desigualdades estruturais complexas, e lamenta a redução do local a um cenário para conteúdo impactante.
O debate sobre a exposição da Rocinha nas redes sociais reflete questões amplas sobre representações sociais, turismo sustentável e o papel da comunidade na valorização de sua própria identidade.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com