Raízen e grupo pão de açúcar solicitam recuperação extrajudi

No intervalo de dois dias, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Raízen solicitaram pedidos de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas e reestruturar suas finanças. As ações ocorreram em São Paulo, na primeira quinzena de junho de 2024, com o objetivo de evitar agravamento da crise financeira.
O Grupo Pão de Açúcar apresentou na terça-feira (10) um plano para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. O plano recebeu apoio unânime do conselho de administração e a adesão de credores que representam 46% do valor das dívidas negociadas, percentual acima do mínimo legal. A empresa mantém as operações normalmente e afirma que os pagamentos a fornecedores seguem em dia.
O GPA enfrenta prejuízos anuais desde 2022, afetado pela redução no consumo, aumento dos juros, despesas com mudanças na gestão e perdas com lojas de baixo desempenho. O balanço recente indicou um déficit estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão até o fim de 2025, principalmente relacionado a empréstimos com vencimento em 2026. Para enfrentar os desafios, o grupo busca ampliar prazos de dívidas, reduzir despesas financeiras e converter créditos tributários em recursos.
Já a Raízen protocolou o pedido de recuperação extrajudicial na quarta-feira (11) na Comarca da Capital de São Paulo. O plano envolve a renegociação de aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras sem garantias específicas, além de valores devidos internamente entre empresas do grupo. A Raízen já conta com a adesão de credores que detêm mais de 47% dessas dívidas, suficiente para o início do processo.
A empresa terá até 90 dias para ampliar a participação dos credores no acordo e buscar a homologação judicial da proposta. Entre as medidas previstas estão injeção de capital pelos acionistas, conversão de parte das dívidas em ações, alongamento dos prazos de pagamento e possível venda de ativos. A Raízen enfrenta pressão financeira após redução de receita e aumento da dívida líquida para R$ 55,3 bilhões no fim de dezembro de 2023.
A recuperação extrajudicial é um instrumento que permite a renegociação de dívidas diretamente com alguns credores, fora da Justiça, com o objetivo de reorganizar as finanças sem interromper as atividades da empresa. Esse processo difere da recuperação judicial, que envolve todos os credores e tramita no Judiciário, sendo, geralmente, mais demorado e complexo.
Segundo o advogado especialista em finanças corporativas Nelson Bandeira, a recuperação extrajudicial é adotada quando a empresa tem dificuldades com um grupo restrito de credores e busca acordo prévio, que deve ser aprovado por credores que representem ao menos 51% dos créditos negociados.
Para solicitar a recuperação extrajudicial, a empresa deve comprovar crise financeira, não pode ter sócios ou administradores condenados por práticas ilegais, não pode ter falido ou passado por recuperação judicial nos últimos cinco anos. O acordo, uma vez homologado pela Justiça, torna-se válido para todos os credores incluídos na negociação.
Os pedidos da Raízen e do GPA destacam a adoção dessa estratégia para preservar as operações e evitar agravamentos financeiros, diante dos desafios apresentados por suas dívidas e pelo cenário econômico atual.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com