Economia

Mulheres jovens enfrentam interrupções, desconfiança e asséd

Mulheres jovens enfrentam interrupções, desconfiança e asséd
  • Publishedmarço 8, 2026

Mulheres jovens enfrentam interrupções, desconfiança e assédio no ambiente de trabalho, revela relatório da McKinsey & Company em parceria com a Lean In, divulgado recentemente. Depoimentos de profissionais confirmam que julgamentos sobre aparência, idade e competência restringem oportunidades e afetam a trajetória delas em diferentes setores.

Carolina Nucci, jornalista de automobilismo, conta que precisou provar sua legitimidade durante uma coletiva no autódromo de Interlagos, quando um fiscal questionou a origem de sua credencial. Para minimizar abordagens e assédios, ela usou uma aliança falsa para parecer comprometida. Mesmo com isso, os assédios tornaram-se menos explícitos, mas persistiram ao longo da carreira.

Mariam Tapeshashvili, gerente de uma agência internacional aos 29 anos, relata julgamentos relacionados à sua juventude, gênero, origem estrangeira e idioma. Ela ouviu comentários irônicos e microagressões que colocavam sua capacidade em dúvida, fazendo-a sentir excluída e subestimada no ambiente profissional.

O relatório Women in the Workplace mostrou que 39% das mulheres já foram interrompidas enquanto falavam e 38% tiveram sua área de especialização questionada. Também aponta que 18% foram confundidas com profissionais de nível hierárquico inferior e 37% sofreram assédio sexual ao longo da carreira. Entre as mulheres jovens, aumentam relatos de comentários sobre idade, aparência e falta de experiência.

Segundo o levantamento, quase metade das mulheres com menos de 30 anos afirma que a idade limitou suas oportunidades, enquanto 36% disseram ter perdido aumentos ou promoções pelo mesmo motivo. Entre os homens, esse percentual é menor, 15%. Essa disparidade reflete no baixo número de mulheres em cargos de alta liderança, que ocupam em média 29% dessas posições.

Além das microagressões, o etarismo também contribui para o preconceito. Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, destaca que homens jovens são geralmente vistos com admiração ao serem promovidos, enquanto mulheres enfrentam questionamentos. Carolina Nucci lembra que, após migrar para engenharia química e marketing, ainda enfrentou descrédito e diferenças salariais, mesmo com qualificações equivalentes.

A maternidade é outro fator que influencia o tratamento desigual. Carolina relata que perguntas sobre o cuidado da filha eram dirigidas a ela, enquanto o marido recebia comentários positivos sobre a paternidade.

As consequências dessas barreiras vão além do desconforto. Mulheres que sofrem microagressões frequentes têm maior propensão ao esgotamento e à intenção de deixar o emprego. O relatório aponta o “degrau quebrado”, dificuldade na primeira promoção para cargo de liderança, como um dos principais obstáculos para a ascensão feminina nas empresas.

Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, afirma que as interrupções e a desvalorização de ideias minam a segurança psicológica das mulheres. Para Mariam, a experiência pode gerar dúvidas sobre merecimento e autossabotagem no trabalho.

O estudo também revela que muitos homens subestimam a desigualdade de gênero. Para 51% das mulheres entrevistadas, os homens acreditam que já existe igualdade, enquanto 45% acham que o debate de gênero é exagerado.

Em resposta a esses desafios, as profissionais entrevistadas recomendam a denúncia de comportamentos inadequados, a busca por mentoria e a participação em redes de apoio. Carolina e Mariam ressaltam a importância de planejamento de carreira e solidariedade entre mulheres como estratégias para superar as barreiras.

Ana Fontes acrescenta que ampliar conhecimento e demonstrar preparo são formas de fortalecer a posição profissional e a confiança, fatores que influenciam a percepção no ambiente corporativo.

As experiências compartilhadas mostram que o enfrentamento dessas questões exige ações individuais e coletivas para promover mudanças estruturais e ampliar oportunidades para mulheres jovens no mercado de trabalho.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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