Os preços do petróleo subiram cerca de 30% nesta semana

Os preços do petróleo subiram cerca de 30% nesta semana, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio que afetou o tráfego de hidrocarbonetos no Golfo Pérsico. O barril de Brent fechou nesta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, e o West Texas Intermediate (WTI) a US$ 90,90, níveis não registrados desde 2023.
O aumento dos preços ocorreu após a paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo bruto. A interrupção é consequência direta do confronto envolvendo o Irã, importante produtor da região. Declarações do presidente americano, Donald Trump, que exigiu a “capitulação” do Irã, contribuíram para a aceleração da alta no mercado.
Analistas do JPMorgan destacam que o mercado mudou de uma simples avaliação geopolítica de riscos para considerar perturbações operacionais reais. Giovanni Staunovo, do UBS, afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz aumenta a tensão no mercado petrolífero. O cenário preocupa especialistas quanto aos impactos econômicos de longo prazo, especialmente o risco de recessão global.
Países do Golfo já reduziram sua produção diante da crise. O Iraque diminuiu sua oferta em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, enquanto o Kuwait atingiu limites em armazenamento e reduziu a capacidade de refino para exportação, segundo o JPMorgan. A China pediu que suas refinarias principais suspendam as exportações de diesel e gasolina para evitar escassez no mercado interno.
Os Estados Unidos autorizaram, por um mês, o fornecimento de petróleo russo sancionado à Índia, numa tentativa de compensar a instabilidade causada pelo conflito no Oriente Médio e proteger a oferta para o país asiático. Além disso, a Marinha americana anunciou que irá escoltar navios mercantes ao tentar atravessar o Estreito de Ormuz, para garantir a segurança dos trajetos comerciais.
Apesar dessas medidas, analistas alertam que a retomada do tráfego pode não alcançar os níveis anteriores à crise. Jason Gabelman, da TD Cowen, disse que a reação parcial do mercado até agora foi amparada por estoques relativamente saudáveis que poderiam sustentar o abastecimento por até um mês em caso de fechamento prolongado do Estreito.
O conflito no Oriente Médio e seus efeitos diretos sobre o transporte e produção de petróleo evidenciam a vulnerabilidade do mercado global a tensões geopolíticas e infraestruturais. O desfecho da situação ainda é incerto, mas o impacto na indústria petrolífera e nas economias dependentes do óleo deve continuar a ser monitorado.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com