A União Europeia decidiu acelerar a aplicação provisória do

A União Europeia decidiu acelerar a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul, movimento criticado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, nesta sexta-feira (27) em Paris. A França, maior produtora agrícola do bloco, considera a decisão uma “má surpresa” e expressa preocupações sobre o impacto para seus produtores locais.
O acordo entre a UE e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — foi concluído em janeiro, após 25 anos de negociações. Ele prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, o que pode se tornar o maior acordo de livre comércio do bloco em termos de redução de impostos de importação.
Na última quinta-feira (26), Argentina e Uruguai ratificaram o tratado oficialmente. A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o acordo na quarta-feira (25), e agora o texto aguarda análise do Senado brasileiro. Com esses avanços, a Comissão Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo.
Em entrevista após reunião com o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, no Palácio do Eliseu, Macron declarou que a decisão da Comissão Europeu surpreendeu negativamente a França e desrespeitou o Parlamento Europeu. O governo francês alega que o tratado pode aumentar significativamente as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços menores, afetando os produtores nacionais que vêm realizando protestos frequentes.
A associação da indústria da carne francesa, Interbev, publicou um comunicado pedindo aos parlamentares franceses na UE para que atuem contra a aplicação provisória, defendendo a necessidade de um debate democrático sobre o acordo. Em votação realizada em janeiro, 21 países da União Europeia apoiaram o tratado, enquanto França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra; a Bélgica se absteve.
Países como Alemanha e Espanha defendem o acordo, argumentando que ele é fundamental para compensar perdas comerciais causadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir a dependência europeia de minerais estratégicos fornecidos pela China.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE seguirá com a aplicação provisória do acordo assim que os países do Mercosul concluírem seus processos internos de ratificação. “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos”, declarou.
O acordo abre caminho para o fortalecimento das relações comerciais entre Europa e América do Sul, mas enfrenta resistência de países preocupados com os impactos econômicos e sociais para seus setores agrícolas. A decisão da Comissão Europeia de antecipar a entrada em vigor antes de todas as ratificações oficiais reforça o debate sobre os mecanismos de aplicação de tratados comerciais no bloco.
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Fonte: g1.globo.com
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