Músicas geradas por inteligência artificial (IA) se tornaram

Músicas geradas por inteligência artificial (IA) se tornaram uma presença crescente nas plataformas de streaming em 2024, gerando preocupação no setor musical devido a fraudes que comprometem o pagamento de royalties a artistas reais. De acordo com dados da Deezer, por exemplo, 39% das faixas enviadas diariamente à plataforma são produzidas por IA, e cerca de 85% dos streams dessas músicas são classificados como fraudulentos, resultando em perdas para músicos profissionais.
A proliferação de músicas e artistas criados por IA facilita a produção em massa e impulsiona fraudes no streaming musical. Muitos dos plays dessas faixas não são orgânicos, mas gerados por robôs ou por redes de ouvintes falsos que inflacionam as estatísticas para burlar o sistema de pagamento de direitos autorais. A Deezer interrompe o pagamento a autores quando identifica fraude, enquanto o Spotify, apesar de não divulgar números específicos, informa ter removido 75 milhões de faixas consideradas spam no último ano.
Especialistas alertam que o uso da IA facilita o envio em massa de músicas com baixa qualidade ou técnicas de manipulação, como truques de SEO e faixas curtas. Essas práticas distorcem a distribuição de royalties, que funciona como uma divisão proporcional conforme o número de streams. Assim, a existência de streams irregulares reduz o valor recebido por artistas legítimos.
Algumas plataformas começam a implementar medidas para identificar e mitigar os impactos desse fenômeno. O Spotify planeja lançar um sistema para filtrar e rotular faixas geradas por IA, evitando sua recomendação em playlists, enquanto a Deezer já comercializa uma ferramenta de detecção própria para combater fraudes. Além disso, a Deezer é atualmente a única a informar explicitamente se uma música foi criada por IA, buscando oferecer transparência aos usuários.
No entanto, o debate sobre o uso da IA na música não se limita a fraudes. A inteligência artificial também está integrada ao processo criativo e tem sido utilizada para gerar hits no Brasil, como a faixa “Sina de Ofélia”, uma releitura não autorizada criada com vocais sintetizados de artistas conhecidos, ou as canções humorísticas do selo Blow Records, que mistura influências retrô e meméticas. Também existem bandas e artistas virtuais que figuram nas paradas de sucesso, mesmo sem existência física.
Apesar da popularidade de artistas gerados por IA, a maioria dessas músicas representa entre 1% e 3% dos streams totais nas plataformas, segundo a Deezer. Uma pesquisa recente revela resistência do público a aceitar músicas criadas com ajuda da IA, com mais da metade dos entrevistados nos Estados Unidos afirmando que evitariam canções desse tipo de seus artistas favoritos. Paralelamente, outro estudo aponta a dificuldade das pessoas em distinguir faixas produzidas por IA das feitas por músicos humanos.
O crescimento das produções musicais geradas por IA apresenta desafios ainda em evolução para a indústria. O equilíbrio entre inovação tecnológica, proteção dos direitos autorais e remuneração justa aos artistas reais segue sendo questão central para plataformas, produtores e usuários.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com