O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), rebateu nesta

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), rebateu nesta segunda-feira (23) a declaração do CEO global da Enel, Flavio Cattaneo, que afirmou ser impossível evitar apagões na região metropolitana devido às condições da arborização urbana. Nunes acusou a concessionária de incompetência na prestação do serviço e negou a justificativa da empresa para as interrupções de energia.
Em entrevista, Cattaneo atribuiu os repetidos apagões à queda de árvores durante tempestades, que danificam cabos e retardam o restabelecimento do fornecimento. Segundo ele, muitos cabos estão “dentro das árvores”, o que tornaria inevitáveis as interrupções em eventos climáticos. O executivo afirmou ainda que o departamento jurídico da Enel e a subsidiária brasileira apresentaram às autoridades locais uma melhora de 50% na qualidade do serviço no último ano.
Ricardo Nunes refutou essas justificativas, dizendo que mais de 80% dos locais afetados pelos blecautes não tiveram queda de árvores. Ele classificou como “deboche” o argumento do CEO e acusou a Enel de falta de capacidade técnica e transparência. “Nem Jesus Cristo salva essa Enel”, afirmou o prefeito.
As declarações ocorrem em meio a críticas crescentes contra a Enel, principalmente após o apagão de dezembro de 2025, que deixou 4,4 milhões de consumidores sem energia na capital paulista e região metropolitana. Esse episódio gerou pressão do governo e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para uma possível caducidade do contrato da concessionária em São Paulo.
O processo sobre a caducidade do contrato teve início em novembro de 2025 e foi suspenso após pedido de vista do diretor Gentil Nogueira. Na reunião desta terça-feira (24), a Aneel deve analisar um pedido do mesmo diretor para prorrogar por 60 dias o prazo para elaboração do voto, garantindo à Enel direito à ampla defesa após a fiscalização que apontou desempenho insatisfatório da empresa no apagão ocorrido em dezembro.
O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, manifestou-se contra a extensão do prazo, destacando a necessidade de urgência na deliberação. A Enel tem apresentado pareceres jurídicos que contestam a inclusão do apagão de dezembro no processo de caducidade, alegando que isso seria ilegal e inconstitucional.
Em paralelo, a Enel São Paulo realizou um projeto-piloto que mapeou 770 mil árvores na área de concessão em colaboração com prefeituras da Grande São Paulo. O levantamento indicou que apenas 9 das 145 árvores que caíram durante o apagão de dezembro tinham risco.
Laudo pericial contratado pela Enel aponta que a principal causa da queda das árvores foi a força do vento em ventania histórica, com fungos e outros problemas secundários contribuindo para o tombamento. A concessionária encaminhou essas informações à Aneel.
A Enel anunciou ainda um plano global de investimentos de 53 bilhões de euros para o período entre 2026 e 2028, com foco em energias renováveis na Europa e nos Estados Unidos. Cerca de 6,2 bilhões de euros serão destinados às operações na América Latina, incluindo Brasil, Chile, Colômbia e Argentina, condicionados a um ambiente regulatório estável.
Os serviços da Enel na região metropolitana de São Paulo seguem sob fiscalização e pressão pública, enquanto a Aneel discute medidas para garantir a qualidade do fornecimento e avaliar a continuidade da concessão.
—
Palavras-chave: Ricardo Nunes, Enel, apagões, São Paulo, Aneel, concessionária de energia, caducidade de contrato, ventania, queda de árvores, fornecimento de energia, Flavio Cattaneo, investimento, projeto-piloto, energia elétrica, faltas de energia, perícia, sustentabilidade, energia renovável.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com