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Milton nascimento comemora 50 anos do álbum geraes que forta

Milton nascimento comemora 50 anos do álbum geraes que forta
  • Publishedfevereiro 22, 2026

Em 2026, o álbum “Geraes”, lançado por Milton Nascimento em 1976, ganha destaque ao reforçar a integração cultural entre o Brasil e os países da América Latina, em conexão com o atual orgulho latino do país. A obra celebra 50 anos ao ser resgatada no contexto da projeção global da música latina, simbolizada pela luta política e artística de figuras como o porto-riquenho Bad Bunny.

Gravado no Rio de Janeiro, “Geraes” representa a continuidade do movimento iniciado por Milton no álbum “Clube da Esquina” (1972), que buscava aproximar o Brasil dos países hispânicos vizinhos. A produção musical teve a supervisão do próprio Milton Nascimento e foi dirigida por Mariozinho Rocha, com o selo da gravadora EMI-Odeon.

O disco conta com a participação da cantora argentina Mercedes Sosa na regravação da canção “Volver a los 17”, da chilena Violeta Parra, e do grupo chileno Água, que contribuiu para a execução de faixas instrumentais e vocais. Essas colaborações refletem a integração musical entre Brasil, Argentina e Chile durante as décadas de 1970 e 1980, período marcado por regimes autoritários na América Latina.

Além disso, “Geraes” traz composições assinadas por Milton Nascimento, Ronaldo Bastos e outros parceiros, incluindo a adaptação do tema folclórico “A lua girou” e canções que dialogam com tradições regionais brasileiras, como “Cálix Bento”, adaptada de uma Folia de Reis do Norte de Minas Gerais por Tavinho Moura. O álbum integra ainda o samba “Circo marimbondo”, interpretado em dueto com Clementina de Jesus, que resgata as raízes africanas presentes na música brasileira.

Na faixa “O que será (À flor da pele)”, parceria com Chico Buarque, Milton executa vocais ascendentes que marcam um dos pontos altos do álbum. Essa canção foi lançada em versões diferentes por ambos os artistas em 1976, fortalecendo o diálogo entre suas trajetórias musicais.

“Geraes” se destaca por valorizar repertório inédito, como a música “Fazenda”, de Nelson Angelo, que evoca elementos do cotidiano rural com sonoridade típica mineira. A voz de Milton, considerada em seu auge naquele período, dá corpo a essas composições que refletem influências da música regional e solar que projeta o Brasil no cenário latino-americano.

O desenho da capa, assinado pelo próprio Milton Nascimento junto com os artistas Cafi, Noguchi e Ronaldo Bastos, simboliza a identidade do álbum e seu propósito integrador. A produção, realizada em meio à repressão da ditadura brasileira, reforça a resistência cultural que unia países da América do Sul diante dos regimes de exceção.

O ano de 2026 marca meio século desde o lançamento de “Geraes” e reforça a relevância do álbum como registro histórico e artístico da integração latino-americana pela música. O momento é também contemporâneo para o Brasil, que vive um fortalecimento da expressão de sua identidade latina em meio à influência internacional da música urbana de países vizinhos, sobretudo representada por Bad Bunny.

A obra de Milton Nascimento permanece como uma base importante para compreender os vínculos entre o Brasil e a América Latina. O álbum “Geraes” serve como testemunho do impulso inicial que, ao longo das décadas, consolidou-se em movimentos culturais e políticos que atravessam fronteiras, unindo povos por meio da música.

Palavras-chave relacionadas: Milton Nascimento, Geraes, Clube da Esquina, música latina, América Latina, Brasil, Bad Bunny, Mercedes Sosa, Violeta Parra, Chico Buarque, integração cultural, música brasileira, álbum 1976, resistência cultural, música folclórica, ditadura brasileira.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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