Cerca de 20 enfermeiras em Chennai, na Índia

Cerca de 20 enfermeiras em Chennai, na Índia, estão aprendendo alemão para atuar na Alemanha, país que enfrenta grave escassez de profissionais qualificados devido à aposentadoria da geração baby boomer e à baixa taxa de natalidade. O governo de Tamil Nadu financia esses cursos para estimular oportunidades globais e reduzir o desemprego local.
A Alemanha enfrenta falta de enfermeiros, professores e profissionais de tecnologia da informação. Segundo o Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), são necessários cerca de 300 mil trabalhadores qualificados por ano para manter o funcionamento da economia. O pesquisador Michael Oberfichter alerta que, sem essa mão de obra, a população teria que trabalhar mais, se aposentar mais tarde ou enfrentar redução no padrão de vida.
Historicamente, o país já recorreu ao recrutamento de trabalhadores estrangeiros. Entre as décadas de 1950 e 1970, a Alemanha Ocidental firmou acordos com países como Itália, Grécia e Turquia para atrair mão de obra, resultando na entrada de 14 milhões de trabalhadores chamados de gastarbeiter. Originalmente, o governo esperava que esses trabalhadores retornassem a seus países, mas muitos permaneceram.
Atualmente, imigrantes qualificados enfrentam obstáculos burocráticos para trabalhar legalmente. Zahra, iraniana formada na Alemanha, relembra a dificuldade em obter autorização para trabalhar, após quase um ano para conseguir uma entrevista para mudar seu visto de estudante para trabalho. Advogado especializado em imigração, Björn Maibaum, descreve que atrasos nas autoridades imigratórias, devido à falta de pessoal, geram esperas de meses ou até um ano, dificultando a entrada de médicos, enfermeiros, engenheiros e caminhoneiros no mercado.
Dados do Escritório Alemão para Migração e Refugiados indicam que cerca de 160 mil estrangeiros possuem autorização para trabalho qualificado no país. Entretanto, o aumento de refugiados, principalmente da Síria e Ucrânia, e a burocracia lenta dificultam a integração desses grupos à força de trabalho. Isso fomentou críticas à política de imigração e ampliou o apoio ao partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que se posiciona contra a imigração.
Em Vallendar, oeste da Alemanha, a Clínica BDH contratou cerca de 40 enfermeiras da Índia e do Sri Lanka. A auxiliar Kayalvly Rajavil, natural de Tamil Nadu, reconhece as barreiras linguísticas e culturais, mas diz que encontra respeito entre colegas. O chefe da enfermagem da clínica, Jörg Biebrach, reconhece que o sentimento anti-estrangeiro e casos de racismo dificultam a permanência dos estrangeiros, que muitas vezes enfrentam também saudade e desafios familiares.
Para otimizar contratações, a Clínica BDH criou um programa de estágio para brasileiros e indianos ainda no país de origem, reduzindo o tempo de contratação e evitando o complexo reconhecimento de diplomas referentes às diferentes normas dos 16 estados alemães. Biebrach cobra reformas nas autoridades de imigração e maior uniformidade nas leis para que a Alemanha se torne mais atraente para profissionais estrangeiros.
O país europeu, apesar da demanda urgente por mão de obra qualificada, ainda enfrenta dificuldades para criar uma cultura acolhedora que permita agilizar os processos e integrar os trabalhadores estrangeiros de forma eficiente. A situação revela um cenário contraditório: vagas disponíveis coexistem com barreiras que limitam a entrada e fixação dos profissionais necessários para o desenvolvimento econômico e social.
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Fonte: g1.globo.com
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