Séries como “The Bear” e “The Pitt” atraem público ao

Séries como “The Bear” e “The Pitt” atraem público ao destacar a precisão e o desempenho eficiente no ambiente de trabalho, tema identificado pela crítica americana como “fetiche da competência”. Ambas as produções, recentes e premiadas, ganham espaço ao apresentar personagens focados em executar suas funções com rigor, numa resposta cultural ao caos e à precariedade dos serviços atuais.
“The Bear” retrata o dia a dia tenso e organizado de uma cozinha profissional, valorizando detalhes técnicos como o uso das facas e o controle do fogo na preparação dos alimentos. A série destaca a importância da disciplina e da coordenação entre os membros da equipe para alcançar resultados eficientes, estabelecendo um padrão de organização contrastante com a desordem da vida real.
Já “The Pitt” adota a ambientação de um pronto-socorro de Pittsburgh e apresenta seus acontecimentos em tempo real ao longo de 15 horas contínuas. A narrativa evita melodramas comuns em produções médicas anteriores, concentrando-se nos procedimentos clínicos e na resolução rápida de problemas. O protagonista, Dr. Michael Robinavitch, exerce seu papel com habilidade técnica, simbolizando a capacidade individual de superar um sistema de saúde falho.
Esse foco na competência como valor central não é exclusivo desses títulos. Diretores como Michael Mann e roteiristas como Aaron Sorkin exploraram a mesma temática desde os anos 1990, destacando personagens cujas habilidades e dedicação técnica definem seu heroísmo. Filmes como “Fogo Contra Fogo” e “Profissão: Ladrão” e séries como “The Newsroom” ilustram a admiração pelo profissionalismo e pelo domínio do ofício, que se sobrepõe a questões morais ou emocionais.
Para Mann, o herói se identifica pela maestria do que faz, seja na ação policial ou no jornalismo investigativo. Sorkin valoriza a agilidade e a inteligência no trabalho, criando personagens que refletem um ritmo acelerado e eficiente, alinhado com a produtividade e a eficácia.
Críticos internacionais analisam essa mudança no entretenimento como um reflexo das ansiedades contemporâneas. O jornal britânico The Guardian aponta o fetiche da competência como um escapismo frente à falta de controle e à insegurança vividas pelo público. A revista americana The New Republic destaca a escolha de “The Pitt” por eliminar tramas superficiais em favor da adrenalina gerada pelo esforço técnico e burocrático.
O site Vox interpreta essa tendência como um deslocamento cultural do desejo por riqueza para o anseio por utilidade, transformando o trabalho bem feito em um novo ideal estético. A publicação Psychology Today relaciona a fascinação por heróis hipercompetentes a uma tentativa psicológica de buscar estabilidade e controle, respondendo à imprevisibilidade do mundo atual.
Assim, o sucesso de “The Bear” e “The Pitt” reflete uma mudança no gosto do público, que encontra nas telas um modelo de ordem e eficiência em ambientes de alta pressão. Essa preferência evidencia uma necessidade contemporânea por narrativas que valorizam a precisão e o comprometimento técnico, numa era marcada por incertezas e falhas institucionais.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com