Economia

As tensões geopolíticas entre os Estados Unidos, Irã

As tensões geopolíticas entre os Estados Unidos, Irã
  • Publishedfevereiro 8, 2026

As tensões geopolíticas entre os Estados Unidos, Irã e Venezuela geraram oscilações pontuais, mas não impulsionaram o preço do petróleo em 2026, mantendo as previsões de mercado entre US$ 60 e US$ 65 por barril ao longo do ano. Apesar das ações do ex-presidente Donald Trump contra a Venezuela e as ameaças ao Irã, o mercado não registrou aumentos permanentes nos valores.

No início de 2026, Trump ordenou uma operação militar na Venezuela que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro e declarou que os EUA assumiriam temporariamente o controle das vendas de petróleo do país. A notícia provocou alta inicial no preço do barril Brent, que subiu 1,6% para US$ 61,76, mas o valor recuou para US$ 60,70 no dia seguinte.

No Irã, as ameaças de ataques após protestos que começaram em dezembro de 2025 aumentaram a apreensão quanto ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para cerca de 20% do transporte mundial de petróleo. Com isso, os preços chegaram a subir mais de 4%, alcançando US$ 66,52, mas logo voltaram a cair após o recuo de Trump e avanços nas negociações entre os dois países.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que um encontro recente com representantes americanos ocorreu em clima positivo e que as negociações sobre o programa nuclear iraniano devem continuar, o que ajudou a estabilizar o mercado.

Especialistas ressaltam que os riscos geopolíticos com Irã já estavam precificados e que impactos futuros tendem a ser limitados. No caso da Venezuela, mesmo com o controle temporário dos EUA, os efeitos no mercado serão restritos ao curto prazo, pois para recuperar e ampliar a produção seriam necessários investimentos bilionários e longo prazo para desenvolvimento técnico.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), destacou que o petróleo venezuelano é pesado e de difícil processamento. Segundo o IBP, levaria ao menos dois anos para retomar os projetos e cerca de oito anos para voltar aos níveis históricos de produção, que ultrapassaram 3 milhões de barris por dia nos anos 1970.

Para o Brasil, os preços projetados entre US$ 60 e US$ 65 terão impactos mistos. A diminuição no valor do barril reduz a arrecadação de royalties, participações especiais e dividendos da Petrobras, afetando as finanças públicas dos governos federal, estaduais e municipais. Ao mesmo tempo, preços mais baixos contribuem para conter a inflação, reduzindo o custo dos combustíveis no mercado interno.

Apesar disso, o preço da gasolina no Brasil permanece elevado, o que é explicado pela política de preços da Petrobras, que busca minimizar a volatilidade e manter o preço alinhado à paridade internacional. A Petrobras esclarece que o custo do petróleo representa cerca de um terço do preço final pago pelo consumidor nas bombas de combustível, sendo o restante formado por impostos e custos de distribuição.

No final de janeiro, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,14 no preço médio da gasolina A, primeiro corte desde outubro de 2025. A empresa informa que atitudes para reduzir a volatilidade visam evitar oscilações abruptas para o consumidor.

As oscilações recentes no mercado de petróleo mostram que as tensões geopolíticas geram variações momentâneas, mas sem alterar significativamente as perspectivas de preços para 2026. O equilíbrio entre riscos, produção e consumo mantém o preço em um patamar que sustenta investimentos no setor, embora imponha desafios para as finanças públicas e o controle da inflação.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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