O presidente argentino Javier Milei enfrenta o desafio

O presidente argentino Javier Milei enfrenta o desafio de conciliar suas negociações comerciais com a China e seu alinhamento político com os Estados Unidos sob a administração Trump em 2024. Milei, que prometeu durante a campanha não fazer “negócios com a China nem com nenhum comunista”, mudou sua postura e pretende viajar à China ainda neste ano, apesar da pressão dos EUA para limitar a influência chinesa nas Américas.
O comércio entre Argentina e China tem aumentado e, em 2023, representou 23,7% das importações e 11,3% das exportações argentinas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Em 2024 e 2025, foi renovado um acordo de swap cambial com a China, no valor equivalente a US$ 5 bilhões, que auxilia na manutenção das reservas internacionais, uma das prioridades do governo Milei.
Enquanto isso, Milei mantém um alinhamento próximo dos Estados Unidos, que buscam reafirmar sua influência na América Latina por meio da chamada “Doutrina Donroe”, uma releitura da Doutrina Monroe defendida por Donald Trump. Essa política prevê a intervenção norte-americana na região sempre que seus interesses forem ameaçados.
Recentemente, Milei elogiou ações militares dos EUA na Venezuela e manifestou interesse em participar do Conselho da Paz idealizado por Trump. Em outubro de 2023, recebeu uma linha de crédito de US$ 20 bilhões de Washington, um suporte financeiro importante diante da crise política e cambial do país antes das eleições legislativas.
Além disso, oficiais do Comando Sul dos Estados Unidos visitaram recentemente uma base militar em construção em Ushuaia e parlamentares americanos estiveram em locais estratégicos, como o campo de xisto de Vaca Muerta, área relevante para reservas de petróleo e gás na Argentina. Essas visitas ocorrem em um contexto em que a China aumenta sua presença no Polo Sul, aumentando o peso geopolítico da região.
Especialistas destacam o conflito dessa dupla estratégia. Para Patricio Giusto, diretor do Observatório Sino-Argentino, a tentativa de separar a relação econômica com a China do alinhamento geopolítico com os EUA pode ser difícil de sustentar, principalmente diante da possibilidade de pressão norte-americana sobre o comércio.
Milei afirmou em Davos, em janeiro, que a China é “uma grande parceira comercial” que oferece oportunidades sem conflito com os Estados Unidos. Ele reforçou a intenção de conduzir uma política econômica aberta para favorecer o país.
A complementaridade econômica entre Argentina e China é destacada pela forte exportação de produtos como soja, carne bovina e lítio, que representaram 70% das vendas argentinas ao mercado chinês em 2025. O governo também facilitou a importação de bens chineses, com crescimento de 274,2% na modalidade “door to door”, impulsionada por plataformas como Temu e Shein, além da recente entrada de cerca de 5 mil carros elétricos da marca BYD.
Para Florencia Rubiolo, diretora do Insight 21, romper laços com a China seria “absolutamente impraticável” para a Argentina devido à importância estratégica da parceria.
O dilema de Milei reside em equilibrar as pressões da aliança com os Estados Unidos e a necessidade de manter relações comerciais robustas com a China, que se tornou essencial para a economia argentina. A persistência dessa balança política e comercial será um teste para o governo em um contexto global de competição entre potências.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com