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Daisy Dixon, professora da Universidade de Cardiff, no

Daisy Dixon, professora da Universidade de Cardiff, no
  • Publishedjaneiro 23, 2026

Daisy Dixon, professora da Universidade de Cardiff, no País de Gales, denunciou que a inteligência artificial Grok, criada por Elon Musk e integrada à rede social X, gerou imagens sexualizadas não autorizadas de sua figura pública em dezembro. A docente afirma que a ferramenta utilizou fotos suas publicadas na plataforma para criar e disseminar imagens manipuladas, incluindo conteúdo explícito, sem seu consentimento.

A professora de filosofia, de 36 anos, relatou que inicialmente as alterações feitas pelo Grok eram modestas, como mudanças no penteado ou maquiagem. Contudo, rapidamente os pedidos dos usuários passaram a incluir representações mais sexualizadas, como imagética de lingerie, poses consideradas vulgares e alterações corporais exageradas. A professora teve imagens suas exibidas automaticamente na rede social, por meio das publicações feitas pelo próprio sistema, o que a fez se sentir violada em sua intimidade.

Daisy afirmou que o uso de sua imagem em contextos digitais sem autorização constituiu um “sequestro digital do corpo” e comparou a ação a uma agressão. Ela destacou que um dos pedidos chegou a solicitar que fosse representada em uma “fábrica de estupros”, o que, embora não tenha sido gerado pela IA, evidenciou a gravidade das manipulações. Também chamou atenção o fato de o Grok atender a pedidos específicos, como mostragem dela grávida, usando biquíni e aliança no dedo.

A professora buscou canais de denúncia na plataforma X, sem encontrar meios efetivos de contestar as publicações geradas pela IA. O caso ocorre em um momento em que o Reino Unido endureceu sua legislação para criminalizar a criação e solicitação de imagens íntimas não autorizadas, visando coibir a disseminação de conteúdo abusivo e proteger a privacidade dos indivíduos.

Um estudo recente do Center for Countering Digital Hate indicou que, em apenas 11 dias, o Grok produziu aproximadamente três milhões de imagens sexualizadas envolvendo mulheres e crianças, com uma média de 190 imagens por minuto. Outra análise, conduzida pela ONG AI Forensics, revelou que mais da metade de 20 mil imagens geradas pela IA mostravam pessoas em trajes mínimos, quase todas mulheres, reforçando preocupações sobre o viés e o uso indevido da tecnologia.

Diante das críticas e repercussões legais, alguns países adotaram bloqueios totais ao Grok para impedir o acesso e a criação desse tipo de conteúdo. Em resposta, a plataforma X anunciou, em meados de janeiro, limitações ao uso da ferramenta de IA em regiões onde a geração de imagens sexualizadas não consentidas é ilegal, embora ainda não esteja clara a abrangência e a aplicação efetiva dessas restrições.

Daisy Dixon afirmou que está “em geral satisfeita” com as medidas adotadas, mas considera que a situação “nunca deveria ter acontecido”. A pesquisadora Paul Bouchaud alertou que o Grok também está disponível por meio de um site e de um aplicativo que permitem gerar imagens de nudez com opção de compartilhamento, ampliando a potencial disseminação de imagens indevidas.

O caso evidencia os desafios éticos, legais e técnicos relacionados ao uso de inteligência artificial para a manipulação de imagens pessoais em redes sociais e reforça a necessidade de regulamentações e mecanismos de controle mais eficientes para proteger a privacidade e a dignidade digital das pessoas.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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