Em outubro de 2020, um hacker invadiu o banco de

Em outubro de 2020, um hacker invadiu o banco de dados da empresa de psicoterapia finlandesa Vastaamo e roubou os registros terapêuticos de cerca de 33 mil pacientes, entre eles Meri-Tuuli Auer. O ataque teve como objetivo chantagear os pacientes, ameaçando publicar informações confidenciais caso não pagassem quantias em bitcoins.
Auer recebeu um e-mail contendo seu nome completo, número de seguro social e detalhes íntimos de suas sessões terapêuticas, informando que se não efetuasse o pagamento de 200 euros em 24 horas, o valor aumentaria para 500 euros em 48 horas. O hacker começou a divulgar aos poucos os registros na dark web, expondo segredos pessoais, como relações extraconjugais, tentativas de suicídio e abusos.
Depois da divulgação, a saúde mental de Auer piorou. Ela relatou medo de sair de casa, usar transporte público ou até atender a porta, devido à exposição de dados sensíveis. Apesar de manter uma aparência extrovertida, Auer enfrenta problemas de depressão e ansiedade desde jovem e havia confiado plenamente em sua terapeuta da Vastaamo, onde buscava ajuda para seus transtornos.
A polícia finlandesa iniciou uma investigação que durou quase dois anos até identificar e prender o suspeito em fevereiro de 2023: Julius Kivimäki, um criminoso cibernético conhecido. Ele foi condenado a seis anos e sete meses de prisão pelo ataque contra a Vastaamo. O julgamento atraiu a participação de 21 mil ex-pacientes, que acompanharam as audiências por meio de exibições públicas devido ao grande número de envolvidos.
O vazamento dos dados permanece um problema. Um mecanismo de busca foi criado na dark web para facilitar a localização de registros expostos, prolongando os reflexos do incidente. A advogada das vítimas informou que há registros de suicídio relacionados à revelação dos dados roubados.
Apesar do impacto, Auer optou por enfrentar a situação publicamente. Ela compartilhou sua experiência nas redes sociais e conversou abertamente com a família sobre os segredos antes ocultos. Atualmente, está escrevendo um livro chamado “Todos Ficam Sabendo”, onde narra sua versão dos fatos, buscando retomar o controle sobre sua história.
O caso é considerado o maior crime cibernético da história da Finlândia e gerou respostas imediatas do governo, incluindo reuniões emergenciais convocadas pela então primeira-ministra Sanna Marin. A exposição dos registros terapêuticos levantou questões sobre segurança digital, privacidade e os riscos da armazenagem eletrônica de informações sensíveis.
Auer conclui que, apesar da exposição definitiva de seus segredos, é necessário seguir em frente para preservar seu bem-estar. O incidente serviu para mostrar a fragilidade dos sistemas de proteção de dados pessoais e os desafios enfrentados pela sociedade contemporânea diante dos avanços tecnológicos.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com