Os países da União Europeia avaliam impor tarifas

Os países da União Europeia avaliam impor tarifas de € 93 bilhões contra os Estados Unidos em resposta às ameaças do presidente americano Donald Trump envolvendo a Groenlândia. A decisão está sendo discutida neste domingo (18), em Bruxelas, durante uma reunião emergencial dos líderes dos 27 países do bloco, convocada após o anúncio de Trump sobre a possibilidade de anexar a ilha, que pertence à Dinamarca.
O encontro busca alinhar uma resposta conjunta para conter a escalada das tensões diplomáticas e militares na região do Ártico, reforçando a posição europeia diante das declarações do presidente americano. Trump anunciou tarifas contra vários países europeus e manifestou o interesse estratégico dos EUA pela Groenlândia, destacando sua localização geopolítica e reservas minerais.
Além da ameaça de tarifas iniciais de 10%, que podem chegar a 25%, o governo americano também não descartou o uso da força para garantir o controle da ilha. A Dinamarca, que detém a soberania sobre a Groenlândia, rejeitou as propostas e declarou sua disposição em manter a integridade territorial do território semiautônomo.
Em resposta, vários países europeus anunciaram o envio de contingentes militares à Groenlândia para reforçar a segurança na região, em coordenação com a Otan. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda emitiram um comunicado conjunto reiterando seu compromisso com a defesa da ilha e com o fortalecimento da segurança no Ártico.
A União Europeia também busca evitar que as tensões causem uma ruptura profunda na aliança militar ocidental, considerada essencial para a segurança europeia. Autoridades do bloco alertam que o uso de tarifas como instrumento de pressão pode afetar negativamente as relações transatlânticas e enfraquecer a cooperação entre aliados.
Líderes europeus classificaram as declarações de Trump como uma “perigosa escalada” e reafirmaram apoio à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a unidade do bloco na defesa da soberania europeia. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, alertou que divisões internas poderiam beneficiar rivais estratégicos como Rússia e China.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, declarou que a Suécia não se submeterá a chantagens. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, defendeu a resolução de divergências por meio do diálogo e destacou os riscos de uma escalada provocada por medidas unilaterais. O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, reforçou que a Groenlândia é parte do Reino da Dinamarca e ressaltou a importância da cooperação da Otan na região.
Em Paris, o presidente Emmanuel Macron qualificou as ameaças tarifárias como inaceitáveis e anunciou que a Europa responderá de maneira coordenada. Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, Macron pretende solicitar a ativação do instrumento anti-coerção da União Europeia, um mecanismo inédito para confrontar medidas econômicas coercitivas.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, reforçou que a UE avaliará uma resposta unificada e firme na defesa do direito internacional diante das ações americanas. A situação foi tratada como um risco para a ordem mundial e para a aliança da Otan pelo ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou ter conversado com Trump sobre a situação na Groenlândia e no Ártico, e ressaltou a continuidade dos esforços para tratar do tema durante o Fórum Econômico Mundial em Davos.
Na última quarta-feira (14), Dinamarca e Groenlândia anunciaram o aumento da presença militar na ilha e em outras áreas do Ártico em cooperação com os países da Otan. A aliança tem realizado exercícios militares frequentes na região, apesar dos protestos da Rússia contra a presença e atividade das forças ocidentais no Ártico.
Protestos contrários à intenção de anexação dos EUA ocorreram recentemente em Groenlândia e em Copenhague. Moradores locais expressaram sua oposição à mudança de controle da ilha, considerada estratégica para a segurança tanto regional quanto global.
O período seguinte aos anúncios de Trump permanece tenso, e a União Europeia continua articulando sua resposta para evitar uma escalada mais grave que possa comprometer relações diplomáticas e a estabilidade na região do Ártico.
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Fonte: g1.globo.com
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