Economia

A contratação na Europa diminuiu em 2023, gerando

A contratação na Europa diminuiu em 2023, gerando
  • Publishedjaneiro 17, 2026

A contratação na Europa diminuiu em 2023, gerando alerta sobre o futuro do trabalho diante da pressão econômica e do avanço da inteligência artificial (IA). A desaceleração ocorre em meio a um cenário de incertezas que afeta tanto empresas quanto trabalhadores em diversos países do continente.

Durante e logo após a pandemia de covid-19, houve um aumento na demanda por mão de obra, impulsionado pela chamada “Grande Demissão”, quando muitos trabalhadores europeus deixaram seus empregos voluntariamente. Naquele período, programas de licença remunerada e trabalho remoto facilitaram a adaptação. Porém, essa tendência mudou com o arrefecimento do mercado de trabalho industrial, o desaquecimento salarial e o receio de a IA substituir funções humanas.

Segundo a consultora Angelika Reich, o mercado europeu “esfriou” e a oferta reduzida de vagas contribui para que trabalhadores fiquem mais cautelosos ao considerar uma mudança profissional. O Banco Central Europeu prevê crescimento mais lento do emprego na zona do euro, estimado em 0,6% para 2024, inferior ao 0,7% previsto para 2025. Essa pequena queda representa a criação de cerca de 163 mil empregos a menos.

Na Alemanha, a maior economia europeia, mais de um terço das empresas planeja reduzir o quadro de funcionários este ano, conforme dados do think tank IW. O desemprego na França deve subir para 7,8%, enquanto no Reino Unido pesquisas indicam possibilidade de aumento para 5,5%. Polônia, Romênia e República Tcheca também registram elevação nas taxas de desemprego.

Esse cenário levou ao surgimento do termo “Grande Hesitação”, que se refere à cautela das empresas para novas contratações e à relutância dos trabalhadores em abandonar empregos estressantes. Outra prática emergente é o chamado career cushioning, em que profissionais mantêm planos de contingência diante da instabilidade do mercado.

Apesar das dificuldades, alguns países mostram crescimento no emprego, como Espanha, Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia, beneficiados por setores como o turismo. Ainda assim, a escassez de trabalhadores continua em segmentos específicos, como varejo, saúde, logística e engenharia.

A indústria, especialmente na Alemanha, registra o maior impacto negativo na criação de empregos, com cortes significativos em setores automotivo, metalúrgico e têxtil. Os custos elevados de energia, a queda da demanda internacional e a concorrência chinesa contribuem para essa desaceleração. O índice de atividade industrial da zona do euro caiu para 48,8 em dezembro de 2023, indicando contração do setor.

Além do impacto econômico, a inteligência artificial influencia o mercado de trabalho europeu. A adoção da tecnologia avança de forma mais lenta do que nos Estados Unidos e China, devido a investimentos limitados e regulações rígidas, mas gera preocupações entre os trabalhadores. Pesquisa da consultoria EY revelou que 25% dos empregados temem perder seus empregos para a IA, e 74% acreditam que as empresas precisarão de menos funcionários.

Estudos indicam que até 1,6 milhão de empregos na Alemanha podem ser afetados pela automação até 2040, sobretudo cargos altamente qualificados. Ao mesmo tempo, prevê-se que o setor tecnológico criará cerca de 110 mil empregos nesse período. Especialistas apontam que a IA pode transferir tarefas repetitivas para máquinas, liberando a força de trabalho para funções mais intelectuais e profissionais.

Para muitos trabalhadores, o avanço da IA pode ser um fator decisivo para mudanças de carreira ou requalificação. O professor Anthony Klotz, que definiu a “Grande Demissão”, destaca que decisões de deixar empregos podem surgir de momentos de clareza provocados por mudanças abruptas, como o impacto das novas tecnologias.

Em resumo, o mercado de trabalho europeu enfrenta desafios decorrentes da desaceleração econômica, transformação industrial e avanço da inteligência artificial. Enquanto algumas áreas resistem e outras se expandem, a adaptação de trabalhadores e empresas será crucial para o futuro do emprego na região.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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