Economia

O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15)

O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15)
  • Publishedjaneiro 15, 2026

O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, responsável pela gestão dos fundos da Reag Investimentos, empresa investigada pela Polícia Federal (PF) por suposto envolvimento em esquemas financeiros ilícitos.

O fundador e então presidente do conselho da Reag, João Carlos Falbo Mansur, deixou a companhia em setembro de 2025, no decorrer das investigações que envolveram mandados de busca e apreensão na operação Compliance Zero. A operação investiga um esquema de fraudes financeiras no Banco Master, em que a Reag teria sido usada para estruturação de fundos e gestão de recursos.

Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para o grupo Arandu Partners Holding S.A., formado por executivos da própria gestora, que adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia. A transação, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões, marcou a saída oficial de Mansur da administração. Desde dezembro do mesmo ano, a Reag opera na bolsa sob o ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3.

A Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa após o avanço das investigações da PF, que indicaram que a gestora teria sido usada em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em outubro de 2025, o registro da holding na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi cancelado, transformando a empresa em sociedade de capital fechado.

Além de Mansur, outros executivos também saíram da Reag durante as apurações, como Altair Tadeu Rossato, que era conselheiro independente e membro do comitê de auditoria, e Fabiana Franco, que renunciou ao cargo de diretora financeira. A companhia negou qualquer participação em irregularidades ou em organização criminosa, afirmando que seus fundos são independentes do patrimônio da administradora e que coopera com as autoridades.

O Banco Central justificou a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM por graves violações às normas que regem instituições financeiras no Brasil. Apesar da medida, especialistas afirmam que os fundos mantêm a segregação patrimonial, o que protege os cotistas contra a mistura dos recursos com os da administradora.

Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, explicou que o dinheiro dos fundos está separado do patrimônio da DTVM e que, embora resgates e aplicações fiquem temporariamente suspensos, os ativos dos fundos permanecem protegidos. O liquidante nomeado pelo BC deverá convocar assembleia para transferir os fundos a outra administradora.

A liquidação da CBSF DTVM foi classificada pelo BC no segmento S4, destinado a instituições de pequeno porte, o que reduz o risco de contaminação a outras instituições financeiras ou de uma crise generalizada de crédito.

A investigação da Polícia Federal apura ainda se a Reag participou da ocultação de patrimônio e manipulação de resultados financeiros no Banco Master, além de seu possível envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, investigado na operação Carbono Oculto, que atua no setor de combustíveis.

O Banco Master e a Reag estão sob suspeita de usar operações entre fundos e o banco para inflar resultados e disfarçar a real situação financeira da instituição. Mandados contra a Reag integraram essas operações, reforçando as apurações em curso.

Com a retirada do controle por João Carlos Mansur e a venda para a Arandu Partners, a Reag Investimentos passou por processo de reorganização societária, mas o avanço das investigações e a liquidação extrajudicial pelo BC indicam o aprofundamento dos problemas estruturais da gestora.

A liquidação tem impacto direto nas operações da Reag, principalmente na administração dos fundos. Enquanto o processo de transferência dos ativos para outra gestora está em andamento, os cotistas devem aguardar a regularização para realizar movimentações em seus investimentos.

Palavras-chave: Reag Investimentos, João Carlos Mansur, liquidação extrajudicial, Banco Central, Polícia Federal, Operação Compliance Zero, Banco Master, lavagem de dinheiro, PCC, Carbono Oculto, Arandu Partners, fundos de investimento, segregação patrimonial.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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