O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que está prestes a ser finalizado após mais de 25 anos de negociações, deve impactar o consumo e os setores produtivos no Brasil, com potencial para reduzir preços e estimular a modernização industrial até 2040. O tratado visa facilitar o comércio entre os 27 países europeus e os quatro países do Mercosul, eliminando tarifas alfandegárias para ampliar o fluxo de mercadorias entre os blocos.
O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores, sendo 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil será o principal beneficiado, com projeção de aumento de 0,46% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, um crescimento maior que o previsto para os demais países envolvidos.
Entre os produtos que devem ganhar destaque no mercado brasileiro estão vinhos, queijos, lácteos, azeite, chocolate e bebidas destiladas. A redução gradual das tarifas alfandegárias deve contribuir para a queda dos preços desses itens, segundo especialistas do setor. Carros importados da Europa, atualmente taxados em 35%, terão suas tarifas zeradas em até 15 anos, o que também tende a diminuir os custos ao consumidor.
Apesar da expectativa de redução nos preços, a queda será gradual, especialmente para produtos que dependem de cadeias globais complexas, como automóveis, que necessitam de componentes fabricados em diversas partes do mundo, incluindo a China. O processo de redução pode levar de dois a três anos, segundo consultores.
Medicamentos e produtos farmacêuticos, que representam mais de 8% das importações brasileiras da Europa, continuam entre os principais grupos de itens importados. A diminuição das tarifas também deve favorecer o acesso a insumos e tecnologias importadas para a produção nacional.
Além do impacto no consumo, o acordo pode reduzir custos para as empresas brasileiras, especialmente no agronegócio, com menor preço para máquinas, equipamentos, produtos químicos, fertilizantes e tecnologias agrícolas de precisão, como drones e sensores. Essas mudanças podem incentivar investimentos em modernização e aumentar a competitividade do setor.
O efeito também deve atingir a indústria, com maior acesso a bens manufaturados europeus e tecnologias que podem baratear a produção e estimular o crescimento local. A exportação de produtos com maior valor agregado para a União Europeia pode impulsionar a geração de empregos, segundo especialistas em relações internacionais.
O acordo também deve ampliar as exportações brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas. Em 2023, as vendas do Brasil para a UE atingiram US$ 49,8 bilhões, enquanto as importações do bloco europeu foram de US$ 50,3 bilhões. Tarifas de 3% a 7% sobre calçados brasileiros serão eliminadas em até quatro anos, e a taxação sobre uvas, de 14%, será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
Especialistas destacam que mesmo com o aumento das exportações, não há indicação de que os preços ao consumidor final fiquem mais elevados, devido à rápida adaptação dos setores a mercados substitutos. O acordo cria oportunidades para diversos segmentos, mas o impacto varia conforme o ritmo e a profundidade da eliminação de tarifas em cada setor.
No agronegócio, espera-se que os benefícios do acordo se espalhem por toda a cadeia produtiva. Grandes produtores exportam diretamente, enquanto pequenos e médios dependem de tradings para acessar o mercado externo. Dessa forma, todos os elos da cadeia podem sentir os efeitos positivos do tratado.
O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul abre caminho para maior integração econômica, com potencial para transformar o fluxo de bens e serviços entre os dois blocos. As negociações avançam para a implementação, que poderá alterar o panorama comercial e produtivo brasileiro nos próximos anos.
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Palavras-chave relacionadas:
Acordo UE-Mercosul, comércio internacional, tarifas alfandegárias, exportações brasileiras, importações, agronegócio, indústria, produtos europeus, modernização tecnológica, PIB Brasil, mercado consumidor, redução de preços.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com