Economia

Correios vão precisar de mais R$ 8 bilhões em 2026

Correios vão precisar de mais R$ 8 bilhões em 2026
  • Publisheddezembro 31, 2025

Correios vão precisar de mais R$ 8 bilhões em 2026; plano de reestruturação prevê 15 mil demissões e mil agências fechadas

Jornal Nacional/ Reprodução

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, concede um pedido dos Correios para adiar e fatiar o pagamento de R$ 702 milhões em precatórios trabalhistas que deveriam ser quitados até esta quarta-feira (31).

A decisão foi tomada às 23h da segunda-feira (29), horas antes de o tribunal concluir sobre o dissídio coletivo entre Correios e trabalhadores, na tarde desta terça-feira (30).

🔎 Esses precatórios se referem as causas trabalhistas que os Correios perderam ao longo dos anos.

O pedido, acatado de forma integral pelo TST, previa:

a suspensão por 90 dias da cobrança do pagamento dos precatórios inscritos até 2 de abril de 2024 e cujo pagamento deveria ocorrer até o dia 31 de dezembro de 2025;

parcelamento dos pagamentos em nove parcelas mensais, que deverão ser quitadas entre abril e dezembro de 2026.

A solicitação faz parte do plano de ação da empresa para conseguir lidar com a crise econômico-financeira que se instalou nos últimos meses, após 12 trimestres seguidos de prejuízo.

“Há risco iminente de prejuízos irreparáveis e, em situações como essa, cabe a adoção de medidas específicas e urgentes, de modo a diminuir e evitar o agravamento dos efeitos da calamidade financeira. A atividade empresarial deverá ser preservada sempre que possível, em razão de sua função social”, afirmou Vieira de Mello Filho.

Além disso, o presidente TST proibiu que qualquer tribunal regional do Trabalho bloqueie bens dos Correios nos valores proporcionais a essas causas que deverão ser pagas no ano que vem. E determinou que os credores dos Correios nesses precatórios não terão direito de discordar da decisão proferida.

A decisão ainda determina que os pagamentos deverão ser por ordem cronológica da sentenças, ou seja, das mais antigas para as mais recentes.

Desistência de recursos

Em seu voto, o presidente Vieria de Mello Filho ainda indica que o acordo de cooperação técnica assinado entre os Correios e o TST para desistir de buscar recursos em 3.781 processos, com o objetivo de reduzir a litigiosidade e a racionalização de processos em trâmite no tribunal foram os responsáveis por essa elevação no valor a pagar em causas judiciais.

“A desistência de recursos e de renúncia a prazos recursais em 3.781 processos, o que acarretou o aumento quantitativo significativo de precatórios inscritos até 2/4/2024 para pagamento no exercício seguinte, ou seja, até 31/12/2025”, justificou o presidente do Tribunal.

De acordo com dados apresentados nas Demonstrações Financeiras, as despesas com precatórios dispararam entre 2023 e 2025, atingindo R$ 2 bilhões em setembro de 2025, mais de quatro vezes o que foi registrado em 2022.

Com a decisão desta semana, a previsão de R$ 1,2 bilhão para pagamentos de precatórios em 2026, agora vai subir para R$ 1,9 bilhão em função dos adiamentos.

Dissídio coletivo

Na terça-feira (30), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) resolveu o impasse entre funcionários e os Correios sobre o acordo coletivo de trabalho vigente para 2025 e 2026.

A proposta feita pela relatora e acatada pela maioria dos ministros decidiu que os Correios terão que pagar:

5,1% de reajuste salarial, retroativo a 1º de agosto;

70% de gratificação sobre o valor das férias;

200% no valor do salário para cada hora extra feita.

A proposta inicial dos trabalhadores era para que a empresa pagasse um reajuste salarial de 14%, conforme a gestão anterior fez com os salários da presidência e direção. Entretanto, esse foi um dos impasses que levaram a discussão para o julgamento do TST e ficou garantido apenas a recomposição salarial em função da inflação.

A empresa também questionava a retroatividade do reajuste. Na semana passada, a proposta era para que o reajuste só começasse a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e não fosse retroativo a 1º de agosto de 2025, mas acabou sendo vencida.

Outra proposta mantida foi a gratificação de férias de 70%, que contrasta com o previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que é de um terço do valor do salário médio anual do trabalhador. Os ministros argumentaram que o a cláusula seria uma das mantidas pois já estava presente em ACTs de anos anteriores.

Além disso, ficou decidido que o ponto eletrônico só será exigido para aqueles funcionários que fizerem hora extra. Assim, fica garantido que todos os trabalhadores sejam pagos por 8h trabalhadas, mesmo que venham a sair mais cedo.

Presidente dos Correios detalha plano de reestruturação da empresa

Plano de reestruturação

O plano de reestruturação da empresa prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e o fechamento de mil agências – atualmente os Correios têm cerca de 5 mil unidades.

A companhia vai implementar um programa de demissão voluntária (PDV) e espera, em até 2 anos, reduzir em 15 mil o número total de funcionários, o que representaria um corte de 18% na folha de pagamentos.

🔎O PDV é um pacote de incentivos oferecido por uma empresa para que seus funcionários peçam demissão por vontade própria. Diferente de uma demissão comum, o PDV funciona como um acordo. Para a empresa, é uma forma de reduzir custos ou reestruturar o quadro de funcionários sem o impacto negativo de demissões em massa.

Emmanoel Rondon, que afirmou que o modelo econômico-financeiro dos Correios deixou de ser “viável”. O plano de reestruturação elaborado tem o objetivo de reverter os 12 trimestres seguidos de prejuízos.

A proposta detalhada nesta segunda visa recuperar as contas da empresa em 2026 para que possa voltar a ter lucro a partir de 2027. Para isso, os Correios esperam:

redução em R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal

vender R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais

redução de mil pontos de venda deficitários

reformulação do plano de saúde para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais

📉Em setembro, a empresa u o resultado do primeiro semestre de 2025 e apresentou um prejuízo de R$ 4,3 bilhões. Em 2024, o prejuízo no mesmo período tinha sido de R$ 1,3 bilhão.

O presidente dos Correios afirmou que “a rota precisa ser ajustada rapidamente” para evitar um possível prejuízo de R$ 23 bilhões para o ano de 2026.

“Não tem mudança substancial em 2025 que vá afetar este ano. A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026”, afirmou Rondon.

Aumento de receitas

A empresa também deve buscar novas estratégias para conseguir alavancar as receitas.

A expectativa é chegar a R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, os Correios fecharam o ano com uma receita total de R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022.

Até setembro deste ano, os Correios viram sua receita diminuir em quase R$ 2 bilhões, no comparativo com o mesmo período de 2024. As receitas foram impactadas pela implementação do programa “Remessa Conforme”, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023.

O governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas para empresas. A medida ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.

Com a instituição do programa, a legislação brasileira passou a permitir que empresas de transportes façam o frete pelo Brasil de mercadorias internacionais, deixando de ser obrigatória a distribuição das encomendas junto aos Correios, como era feito até então.

De acordo com um levantamento da empresa apresentado durante a coletiva, os Correios perderam espaço no mercado de encomendas entre 2019 e 2025. Saindo de 51% no primeiro ano do governo Bolsonaro para 22% atualmente.

“O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários”, afirmou Rondon.

A empresa ainda pretende investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff.

A captação terá como destinação obrigatória a “automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística”.

Empréstimo de R$ 12 bilhões

Nesta terça-feira (30), os Correios receberam R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões tomados junto a um consórcio de bancos privados.

A assinatura do contrato de empréstimo foi publicada no sábado (27), no Diário Oficial da União (DOU), e envolve um consórcio com os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, após autorização do Tesouro Nacional, em 18 de dezembro, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito.

De acordo com presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander vão emprestar outros R$ 1,5 bilhão, cada um.

O contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029. A taxa de juros ficou em 115% do CDI – abaixo do teto de 120% do CDI, estabelecido pelo Tesouro.

Com o aval do Tesouro, o governo federal deve honrar as parcelas do pagamento caso os Correios fiquem inadimplentes, ou seja, se a estatal não pagar. Trata-se de uma garantia adicional para os bancos que concederam o crédito.

Durante a coletiva de ontem, o presidente dos Correios também não descartou o plano da empresa de tomar mais R$ 8 bilhões emprestados de instituições financeiras.

Segundo o presidente da companhia, a captação dos recursos poderá se dar por meio de aportes de verbas públicas do Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo. Mas que a melhor forma de obtenção desses recursos está em análise e ainda será definida.

A ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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Caio Marcio

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