Ganhar r$ 1 bilhão na mega da virada não impede risco de fal
O prêmio recorde de até R$ 1 bilhão da Mega da Virada atrai milhares de apostadores no país, mas estudos indicam que ganhar essa quantia não impede que o vencedor acabe em situação financeira complicada. Pesquisas realizadas por economistas e especialistas mostram que muitos ganhadores de grandes loterias, inclusive nos Estados Unidos, perdem rapidamente parte significativa do prêmio devido a gastos elevados e decisões financeiras equivocadas.
Um exemplo emblemático ocorreu em 2018, quando um único ganhador levou o prêmio acumulado de US$ 1,5 bilhão da Mega Millions. Apesar do montante impressionar, o valor recebido imediatamente foi menor. O vencedor poderia optar pelo pagamento integral, que girava em torno de US$ 878 milhões, ou por parcelas anuais ao longo de 30 anos. Além disso, os impostos federais e estaduais reduziram ainda mais o valor final recebido.
Especialistas explicam que, mesmo após considerar o desconto tributário, o montante pode parecer elevado, mas as pesquisas mostram que ganhadores tendem a gastar muito rapidamente o dinheiro inesperado. Um estudo apontou que, em média, essas pessoas economizam apenas 16 centavos de cada dólar recebido. Muitos acabam perdendo metade do montante em poucos anos por conta de investimentos mal planejados e consumo excessivo.
Além disso, estudos indicam que a riqueza proveniente da loteria não resolve problemas financeiros de longo prazo para pessoas com dificuldades econômicas, apenas os adia. Cerca de um terço dos ganhadores acaba falindo após alguns anos, o que expõe a dificuldade real de administrar uma fortuna súbita.
Para “torrar” o valor de centenas de milhões, uma pessoa precisaria gastar valores médios muito altos diariamente por décadas. Por exemplo, um ganhador na faixa dos 30 anos que recebe cerca de US$ 900 milhões, após os impostos, teria que desembolsar aproximadamente US$ 55 mil por dia durante 45 anos para zerar o dinheiro. Investir em bens como imóveis de luxo e carros caros, por sua vez, pode manter o patrimônio líquido preservado, mesmo sem o dinheiro em espécie.
Um caso real que ilustra esse cenário é o de Huntington Hartford, herdeiro de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos no século XX. Ele recebeu o equivalente a US$ 1,3 bilhão em valores atuais e declarou falência cerca de 70 anos depois, após gastos elevados em propriedades, museus, arte e um estilo de vida luxuoso. Sua experiência evidencia o desafio de preservar a riqueza repentina.
O levantamento orienta que o ganho financeiro inesperado deve ser tratado com planejamento e cautela para evitar o esgotamento rápido dos recursos. A administração correta pode garantir segurança econômica e longevidade à fortuna, enquanto o gasto impulsivo frequentemente conduz à falência.
Assim, embora o prêmio da Mega da Virada possa transformar vidas, os estudos indicam que o valor em dinheiro não é garantia de estabilidade financeira. Controlar os gastos e pensar no futuro são medidas fundamentais para quem receber uma quantia expressiva, evitando que a sorte se transforme em prejuízo.
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Palavras-chave: Mega da Virada, prêmio bilionário, loteria, finanças pessoais, falência de ganhadores, impostos sobre prêmios, planejamento financeiro, economia comportamental, gastos de loterias, gestão de patrimônio.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com