Economia

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira
  • Publishednovembro 15, 2025

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (14) a redução parcial das tarifas de importação sobre alguns produtos brasileiros, incluindo o suco de laranja, principal beneficiado pela medida, que deve gerar impactos nas exportações no ano seguinte. A decisão ocorre em meio às negociações entre Brasil e EUA para uma redução mais ampla das taxas sobre produtos brasileiros, estabelecidas em resposta a desentendimentos comerciais anteriores.

O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, explicou que a redução abrange a retirada da alíquota extra de 10% aplicada desde abril, mas mantém a tarifa adicional de 40% imposta desde agosto, conhecida como “tarifaço”, sobre grande parte das exportações brasileiras. O impacto direto da medida é uma ampliação do percentual das exportações brasileiras isentas de tarifa de 23% para 26%, representando um incremento potencial de US$ 10 bilhões em vendas para os Estados Unidos.

O suco de laranja é o produto que mais se beneficia, pois além de já estar isento da tarifa de 40%, agora também está livre da taxa de 10%. Cerca de 40% do suco brasileiro exportado destina-se aos EUA, com a produção concentrada no estado de São Paulo. Outros produtos beneficiados pela redução parcial incluem café, cortes de carne bovina, açaí, castanha-do-pará, tapioca, mandioca e frutas como banana, laranja e coco; porém, o café continuará sendo taxado em 40%.

Segundo Alckmin, que também exerce o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo brasileiro seguirá negociando para uma redução total das tarifas, ressaltando a importância do café nas exportações brasileiras para os EUA. As negociações estão conduzidas em conjunto com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Houve reaproximação diplomática entre os dois países após o encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em setembro e uma reunião na Malásia, no fim de outubro. Este mês, representantes brasileiros e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, realizaram encontros no Canadá e em Washington para avançar nas discussões. Vieira manifestou otimismo quanto à possibilidade de um acordo ainda em novembro, que abriria caminho para negociações mais amplas nas próximas semanas.

A decisão de Trump, confirmada em ordem executiva, considerou informações recebidas pelas autoridades americanas, a demanda interna, a capacidade de produção doméstica e o andamento das negociações multilaterais. A medida entrou em vigor a partir de 13 de novembro de 2025, aplicando-se a mercadorias que chegarem para consumo após essa data.

A retirada parcial das tarifas também responde à pressão interna nos Estados Unidos. A inflação nos preços de alimentos, especialmente do café, tem aumentado, com queda significativa nas importações brasileiras do produto — que recuaram quase 50% em setembro de 2025 em comparação ao mesmo mês de 2024. Trump reconheceu em entrevistas e reuniões que os EUA sentiam falta de produtos brasileiros e admitiu a necessidade de ajustar as tarifas.

Além do café e do suco de laranja, a suspensão de tarifas beneficiará outras categorias, como carnes, que também estão sujeitas a taxas elevadas. Os Estados Unidos representam um mercado importante para a carne brasileira, que responde por 23% das importações americanas. A produção americana enfrenta desafios devido à seca e à redução do rebanho, o que eleva os preços internos.

O Brasil é ainda um dos maiores exportadores de frutas como manga e goiaba para os EUA, mercados impactados pelas tarifas recentes, que causaram prejuízos a produtores brasileiros. Apesar disso, o México, o Peru e o Equador continuam como principais fornecedores dessas frutas, com produção local nos EUA não suprindo toda demanda.

O governo brasileiro aguarda avanços nas negociações para a redução total das tarifas, que atualmente elevam o custo para as exportações a até 50% quando somadas as taxas extras. Até o momento, o presidente Lula não se pronunciou publicamente sobre a decisão americana, enquanto a equipe governamental mantém contatos frequentes para buscar acordos.

A expectativa é que uma solução ampla e definitiva seja alcançada nos próximos meses, com vantagens para o comércio bilateral e o mercado consumidor dos Estados Unidos, reduzindo pressões inflacionárias relacionadas às tarifas sobre produtos agropecuários brasileiros.

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Fonte: g1.globo.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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