Na semana passada, a FISweek 2025 reuniu 700

Na semana passada, a FISweek 2025 reuniu 700 palestrantes em São Paulo para discutir o papel da tecnologia na saúde, destacando a inteligência artificial como ferramenta para garantir acessibilidade e equidade no setor. O evento durou três dias e abordou formas de desafogar o sistema de saúde brasileiro, que enfrenta limitações estruturais.
O sistema de saúde brasileiro é mais voltado para o atendimento de casos agudos, enquanto cresce a demanda por cuidados relacionados a doenças crônicas e ao envelhecimento da população. Segundo especialistas, essa mudança exige um novo modelo de atenção, focado na conveniência e na qualidade de vida dos pacientes, muitas vezes com suporte domiciliar e monitoramento remoto.
Michelle Fabiani, diretora médica da Roche Farma Brasil, explicou que a empresa trabalha para oferecer tratamentos que possam ser administrados com menor frequência e em casa. Ela citou como exemplo medicamentos cuja aplicação pode ser feita com intervalos de até seis meses, sem comprometer o resultado clínico.
Fernando Pares, fundador da ISA Saúde, empresa especializada em atendimento domiciliar, ressaltou que metade das internações hospitalares ocorre por condições que poderiam ser tratadas fora do hospital. Ele defendeu a necessidade de aceitação desse modelo pelos planos de saúde, médicos e pacientes para ampliar a eficiência do sistema.
Dados internacionais indicam que países com sistemas de saúde considerados robustos, como Alemanha e Japão, possuem mais de oito leitos hospitalares por mil habitantes. O Brasil, por sua vez, conta com cerca de dois leitos por mil habitantes, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede privada, o que representa uma limitação para o atendimento em situações normais e emergenciais.
O ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, destacou a dependência do Brasil em relação à importação de insumos para medicamentos, com 90% dos princípios ativos sendo adquiridos do exterior. Ele defendeu a redução dessa dependência, o fortalecimento da capacidade nacional de produção e o aprimoramento das modalidades de compras públicas.
Temporão citou como exemplo positivo a parceria entre o Estado, por meio da Fiocruz, e o setor privado na compra da vacina contra Covid-19, que contribuiu para a ampliação do acesso à imunização. Para ele, políticas públicas eficazes devem garantir que a saúde, direito assegurado pela Constituição, esteja disponível a toda a população.
A discussão sobre a ética no uso da inteligência artificial na medicina também foi abordada em eventos recentes, reforçando a importância de regulamentações claras para garantir a segurança e a equidade no atendimento.
Em síntese, a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, é vista como essencial para transformar o sistema de saúde brasileiro. A adoção de modelos que promovam o atendimento domiciliar e a produção nacional de medicamentos são apontadas como estratégias para ampliar a acessibilidade e a equidade no setor.
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Palavras-chave: saúde, tecnologia na saúde, inteligência artificial, acessibilidade, equidade, atendimento domiciliar, doenças crônicas, envelhecimento, sistema de saúde brasileiro, produção nacional de medicamentos, políticas públicas, FISweek 2025.
Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com