O Espírito Santo registrou crescimento nas exportações de

O Espírito Santo registrou crescimento nas exportações de gado Nelore, especialmente de animais jovens chamados “zero dentes”, entre janeiro e dezembro de 2024. Esse aumento ocorre devido à demanda internacional por carne bovina de alta qualidade produzida com gado precoce, que apresenta melhor rendimento e maciez.
Gado “zero dentes” refere-se a bovinos com todos os dentes de leite, geralmente com até 18 meses de idade, que ainda não trocaram por dentes permanentes. Essa fase é valorizada por compradores globais pela textura e sabor da carne resultantes da pouca idade do animal.
O produtor Victor Miranda, que atua há 25 anos na criação de Nelore em uma fazenda em Jucu, Vila Velha, explica que o melhoramento genético tem acelerado o ganho de peso dos animais nesse estágio. “Quando olhamos a arcada dentária zero dentes, o peso é muito importante. Há cinco anos, demorava cinco anos para produzir de 15 a 16 arrobas. Hoje, em 18 meses, conseguimos animais de 24 arrobas”, aponta.
O estado do Espírito Santo bateu recorde nas receitas com exportações de carne bovina em 2024, alcançando US$ 27,2 milhões, o que representa um aumento de 32,7% em relação ao ano anterior. Apesar disso, a carne de gado zero dentes ainda ocupa uma parcela menor dentro do agronegócio local, embora tenha ganhado espaço nos mercados internacionais mais exigentes.
O Nelore é a raça predominante no Brasil, conhecida por sua resistência e adaptação a climas quentes e secos. Originária da Índia, foi introduzida no país no final do século XIX e aprimorada para a produção de carne magra e de boa qualidade. No Espírito Santo, o Nelore é fundamental para o desenvolvimento da pecuária e serve como base para cruzamentos que melhoram as características do rebanho.
Para consolidar a presença da carne capixaba no mercado mundial, o investimento em qualidade é considerado essencial. Victor Miranda ressalta a importância da produção de animais precoces e com acabamento adequado para garantir preço melhor e competitividade externa.
O secretário de Agricultura do Espírito Santo, Enio Bergoli, destaca que a limitação territorial do estado direciona o foco para a pecuária de excelência. “O Espírito Santo é pequeno em área, mas tem destaque em qualidade. Ano passado, vencemos o concurso nacional de qualidade da carne Nelore. É a melhor carne do Brasil, e isso abre uma oportunidade ímpar de exportação”, afirma.
Bergoli também enfatiza que o governo busca criar um ambiente favorável para os produtores, oferecendo infraestrutura rural adequada, acesso ao crédito com juros abaixo da Selic, programas como Caminhos do Campo e incentivos para a modernização das propriedades.
Além dos impactos nas exportações, a demanda internacional estimula a melhora da qualidade da carne para o mercado interno. “Quem produz para o exterior acaba melhorando a carne que também fica aqui dentro. O consumidor brasileiro é exigente, e qualidade não é um custo adicional, mas resultado de genética, animais precoces e bom acabamento”, comenta Bergoli.
Com o avanço da pecuária de gado zero dentes e a consolidação da qualidade da carne Nelore produzida no Espírito Santo, o estado busca se destacar ainda mais no cenário nacional e internacional, mantendo a tradição no agronegócio alinhada às demandas do mercado global.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com