A empresária Joelma Lambertucci de Brito afirmou que integrantes do governo do ex-presidente Donald Trump desconheciam a importância do mel brasileiro nos Estados Unidos durante negociações em 2023. Ela participou de reuniões para defender a exclusão do mel brasileiro das tarifas de importação propostas por Trump em junho daquele ano.
Em 1º de junho de 2023, Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, seguindo investigações relacionadas a desmatamento, pirataria e trabalho forçado. No dia seguinte, novas tarifas de 12,5% foram incluídas para 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
Joelma Brito, que atua há 35 anos no setor de mel e própolis e lidera a Lambertucci Trade Solution, esteve em Washington para audiências públicas e reuniões com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e o Escritório de Comércio dos EUA (USTR). Ela afirmou que os representantes americanos não tinham conhecimento do peso do mel brasileiro nesse mercado.
Segundo dados apresentados pela empresária, 83% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos tem origem no Brasil. No caso do mel convencional, o Brasil corresponde a 75% das importações americanas. Brito explicou que em negociações anteriores, os americanos não prestavam atenção à origem do produto, focando apenas nas marcas.
A empresária também atribui o desconhecimento à falta de ações do governo e do setor brasileiro para promover o mel no exterior. Ela comparou a situação com outros produtos brasileiros, como carne e café, que possuem grupos de lobby mais estruturados nos EUA.
Uma audiência pública está prevista para 6 de dezembro em Washington, onde Joelma Brito, importadores americanos e a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel) tentarão reverter a inclusão do mel brasileiro na lista de tarifas. A defesa enfatizará o volume das importações, que dependem majoritariamente do Brasil, e o impacto direto para os consumidores americanos.
Outro ponto da defesa será a ausência de concorrência para o mel orgânico brasileiro nos EUA. A apicultura americana se concentra principalmente no mel convencional e na polinização, enquanto o Brasil possui condições favoráveis para a produção orgânica, como a presença de abelhas africanizadas resistentes a doenças, o que reduz a necessidade de uso de antibióticos.
Além disso, a imposição das tarifas poderia aumentar o preço do mel orgânico e provocar sua escassez nas prateleiras americanas, já que a produção doméstica não é suficiente para atender à demanda. A substituição do mel brasileiro por fornecedores de outros países não seria rápida, pois a conversão para produção orgânica leva, no mínimo, um ano.
Representantes importadores americanos também devem argumentar na audiência que as tarifas resultarão em prejuízos financeiros e perda de empregos nos Estados Unidos, reforçando a importância do produto brasileiro para o mercado local.
O setor de mel brasileiro tem sido um dos mais afetados pelas tarifas implementadas por Trump desde 2022, especialmente os produtores do Piauí, maior exportador nacional do produto e dependente do mercado americano. Em 2024, 85% do mel exportado pelo estado foi destinado aos EUA.
Em 2025, o setor enfrentou sobretaxação de 50%, que levou ao cancelamento de vendas e causou perdas financeiras para milhares de famílias de apicultores. No Piauí, a apicultura movimenta diretamente cerca de 40 mil famílias.
O setor busca evitar novas perdas com a próxima rodada tarifária. Joelma Brito afirmou que a expectativa é obter a isenção para o mel brasileiro e que o trabalho de lobby deve continuar para fortalecer o apoio ao produto junto aos formadores de opinião em Washington.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

