Uma pesquisa realizada pela fintech Onze, em parceria com a Icatu Seguros e divulgada pelo g1, apontou que 42% dos brasileiros entrevistados indicam o dinheiro como sua principal fonte de preocupação. O levantamento ouviu 8.391 pessoas entre 26 de maio e 1º de junho e revelou que a preocupação financeira supera temas como saúde, família, violência, política e trabalho.
O estudo mostra um cenário de instabilidade financeira e uma sobrecarga emocional causada pela falta de planejamento. Entre os entrevistados, 56% afirmaram não possuir reserva de emergência, percentual que se mantém alto pelo quarto ano consecutivo. Além disso, 15% não têm reserva e ainda estão endividados. A renda insuficiente para cobrir os gastos mensais, o endividamento e o nome negativado preocupam 53% dos participantes.
O levantamento detalha as principais preocupações relacionadas ao dinheiro. Para 58%, o maior receio é não ter dinheiro suficiente para lidar com emergências, como problemas de saúde e acidentes. Outros 33% têm dificuldades para pagar as contas do mês, 25% querem garantir um futuro melhor para os filhos e 22% se preocupam em quitar dívidas ou limpar o nome.
Quanto às dívidas, cerca de 60% dos entrevistados citaram o cartão de crédito, seja com fatura em aberto ou parcelada. Em seguida, aparecem o empréstimo pessoal (30%) e o crédito consignado (26%). A principal motivação para recorrer ao crédito é cobrir gastos básicos do mês, apontada por 45%. Outros 23% utilizam o crédito para emergências inesperadas, enquanto 13% buscam empréstimos para renegociar dívidas.
A pesquisa destaca que 78% dos entrevistados possuem ao menos um dependente financeiro. A educação financeira dentro do ambiente familiar também é um desafio, já que 53% relatam que raramente discutem questões financeiras com familiares. Além disso, 63% não possuem proteção financeira contra eventos como morte ou invalidez, e 89% nunca buscaram orientação especializada para organizar suas finanças.
Para Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, o cartão de crédito é o principal vilão da inadimplência. Segundo ele, o uso constante do crédito cria a falsa sensação de renda ampliada, o que impede o pagamento integral das faturas e gera uma “bola de neve” de juros. Henrique Diniz, diretor da Icatu Seguros, acrescenta que o ambiente digital e a exposição constante ao consumo nas redes sociais aumentam o endividamento.
O estudo também relaciona a instabilidade financeira a problemas na saúde mental e física dos trabalhadores. Setenta e dois por cento afirmam que a situação financeira prejudica sua saúde emocional, enquanto 9% relatam impactos na saúde física. Sintomas como ansiedade (65%), insônia (53%) e depressão (18%) são frequentes. Antonio Rocha explica que a falta de controle financeiro gera estresse constante, com efeitos que vão além da saúde e atingem também a produtividade e as relações pessoais.
Cerca de 69% dos entrevistados acreditam que a estabilidade financeira traria mais felicidade e produtividade ao trabalho. Henrique Diniz alerta que o medo de perder o emprego agrava a situação e defende que as empresas promovam debates sobre saúde financeira com os funcionários. Segundo ele, é papel dos recursos humanos facilitar o acesso a informações e produtos que contribuam para o planejamento financeiro.
A percepção negativa sobre a economia está relacionada à elevada taxa de endividamento, à dificuldade para poupar e à insuficiência da renda para cobrir os gastos básicos. Esses fatores, combinados com a falta de proteção financeira e educação sobre o tema, elevam o nível de preocupação e afetam a qualidade de vida das pessoas.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

