Marios, personal trainer em Londres, passava até 14 horas por dia usando o celular e agora faz terapia para controlar seu vício. Ele compara o uso do aparelho a carregar uma “droga no bolso” e busca ajuda para reduzir a compulsão, que associa à solidão.
O vício em telefone celular não é oficialmente reconhecido como transtorno, mas cresce o número de pessoas que reclamam do tempo excessivo de uso. Pesquisa da Deloitte indica que 70% dos adultos acreditam passar tempo demais no dispositivo. Profissionais que atuam no tratamento de dependências no Reino Unido relatam aumento na procura de ajuda relacionada ao uso do celular.
O centro de reabilitação Steps Together, em St Helens, norte da Inglaterra, atende casos de dependência digital junto a outros vícios como álcool e jogos de azar. Segundo a terapeuta-chefe Kelly Watson, o vício pode afetar pessoas de todas as origens. Ela explica que o uso do celular ativa um sistema de recompensa no cérebro, liberando dopamina, o que pode levar ao excesso de uso e perda do controle.
James, paciente do Steps Together em Leicester, relata que sua dependência digital se agravou após perda do emprego. Ele passava horas rolando redes sociais e conferindo notícias, chegando a ficar acordado no meio da noite para acompanhar interações online. Apesar do dano causado, reconhece que usar o telefone não lhe trazia mais prazer, mas sim angústia e sensação de aprisionamento.
Muitos pacientes relutam em abandonar o celular, considerando-o essencial para o trabalho e contatos familiares. O tratamento envolve períodos residenciais de pelo menos 28 dias, com terapia grupal e individual para entender gatilhos emocionais. A ideia é reduzir gradualmente o uso e ajudar a pessoa a lidar com o desconforto da abstinência digital.
Além dos centros de reabilitação, grupos de apoio como o Internet and Technology Addicts Anonymous (ITAA) surgiram em 2017 para oferecer suporte semelhante ao modelo dos Alcoólicos Anônimos. Membros compartilham experiências de sofrimento como insônia, isolamento social e perda do controle sobre o uso. Alguns, como Jenny, relatam ter parado de usar o celular para lazer há cinco anos após seguir o programa de 12 passos.
Tom, também do ITAA, conta que seu vício causou perda de negócios e problemas de saúde mental, levando-o a sentir vontade de suicídio. Atualmente, pratica atividades ao ar livre e busca equilíbrio, reduzindo o tempo diante das telas.
A psicoterapeuta Hilda Burke, autora do livro Phone Addiction Workbook, orienta pessoas preocupadas a observarem seus próprios hábitos para identificar padrões e gatilhos. Ela recomenda substituir o uso do celular por atividades alternativas e evitar sentimentos de culpa, focando no autocuidado e gestão da ansiedade associada à espera por respostas.
Empresas de telefonia incorporaram ferramentas para monitorar e limitar o tempo de uso dos dispositivos, buscando diminuir o impacto da dependência digital.
Marios demonstra esperança com o tratamento e reconhece que o telefone também pode ser útil, por exemplo, para aprender espanhol por meio de aplicativos. Ele afirma estabelecer intencionalmente o objetivo de usar menos o aparelho e percebe que gradualmente está recuperando o prazer nas atividades diárias.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

