Um grupo bipartidário nos Estados Unidos criou a organização RAISE US com um fundo inicial de US$ 500 milhões para preparar trabalhadores para as mudanças no mercado causadas pela inteligência artificial (IA). A iniciativa, lançada em 2024, visa investir em educação e capacitação profissional para evitar perdas massivas de empregos diante do avanço tecnológico.
A RAISE US foi fundada pela ex-secretária de Comércio Gina Raimondo, democrata, e pelo ex-governador de Indiana Eric Holcomb, republicano. O foco da organização é desenvolver programas em parceria com estados e grandes empregadores para facilitar a transição dos trabalhadores para novas carreiras em uma economia cada vez mais automatizada.
Inicialmente, a RAISE US atuará em Arkansas, Connecticut, Maryland e Utah, trabalhando com governos locais e empresas para criar políticas que integrem escolas e empregadores. O objetivo é redirecionar rapidamente trabalhadores demitidos para novas vagas, buscando preservar salários ou até aumentá-los.
Além do investimento em educação, o grupo estuda incentivos fiscais e mudanças em impostos corporativos para estimular a manutenção de empregos dentro das empresas parceiras. Entre elas estão grandes nomes do setor tecnológico e financeiro, como Amazon, Microsoft, Anthropic, OpenAI Foundation, Bank of America, UPS, General Motors, Eli Lilly, Mastercard, AMD, Cisco e IBM.
Gina Raimondo argumenta que o avanço da IA pode gerar altos níveis de desemprego, que ameaçam a estabilidade econômica e democrática do país. Segundo ela, liderar a inovação tecnológica passa por assegurar que a força de trabalho se adapte às novas demandas, evitando impactos sociais negativos.
Estudos recentes reforçam a preocupação com o impacto da IA no emprego. Análise da Boston Consulting Group aponta que até metade dos empregos nos EUA pode ser transformada pela inteligência artificial nos próximos anos, com estimativa de eliminação de até 25 milhões de postos de trabalho em cinco anos. O Goldman Sachs calcula que cerca de 25% das horas trabalhadas poderão ser automatizadas.
A inteligência artificial vai além de ferramentas digitais e pode promover mudanças profundas em setores como transporte, indústria e serviços. Caminhões autônomos, fábricas robotizadas, além da automação em escritórios, advocacia e medicina são exemplos das transformações em andamento.
O então presidente Donald Trump minimizou o risco de desemprego causado pela tecnologia, afirmando que não vê impacto imediato e aposta no crescimento econômico pelo investimento em data centers e infraestrutura para IA. No entanto, dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA mostram perda de empregos em setores industriais e de transporte mesmo com o avanço da tecnologia.
Especialistas alertam que o sistema educacional atual e as políticas trabalhistas são inadequados para acompanhar a velocidade das mudanças promovidas pela IA. Vivienne Ming, neurocientista, destaca a necessidade de desenvolver habilidades como curiosidade e flexibilidade intelectual, que vão além das competências técnicas tradicionais.
Raimondo acredita que os estados servem como laboratório para testar medidas que podem ser adotadas nacionalmente no futuro. Ela admite que o Congresso pode demorar para agir, mas espera que as experiências locais sirvam de base para políticas federais.
A RAISE US expressa a prioridade em garantir que a inovação tecnológica traga benefícios econômicos sem deixar de lado os trabalhadores, buscando uma adaptação estruturada para uma economia cada vez mais impactada pela inteligência artificial.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

