A maioria dos inscritos para audiência pública sobre tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil manifestou-se contra a elevação das alíquotas, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado em junho de 2026. Apesar da rejeição predominante, a CNI projeta que as tarifas devem ser mantidas com possíveis ajustes pontuais.
A audiência foi realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e reuniu 80 participantes, dos quais 66 se posicionaram contrariamente à adoção das novas tarifas. Os demais representantes são de setores norte-americanos do etanol, siderurgia, pecuária e madeira, que apoiam a medida.
A investigação comercial foi iniciada em 15 de julho de 2025, por determinação do então presidente dos EUA, Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O USTR identificou práticas brasileiras que, segundo o órgão, oneram ou restringem o comércio com empresas norte-americanas, o que motivou a proposta de elevação das tarifas.
De acordo com a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, embora a medida precise ser monitorada, é provável que as tarifas permaneçam em vigor, podendo sofrer apenas ajustes pontuais durante a conclusão do processo. Ela ressalta que a estratégia da indústria brasileira é demonstrar os impactos negativos das tarifas tanto para o Brasil quanto para a economia dos Estados Unidos.
Negri também afirmou que vários setores norte-americanos já manifestaram preocupação com os efeitos das medidas sobre seus próprios negócios. A gerente defende a negociação como a melhor alternativa para evitar prejuízos a empresas dos dois países.
A CNI projeta que, se as tarifas forem aplicadas conforme a proposta, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA passarão a ser tributadas em 37,5%, em comparação com os atuais 10%. Esse reajuste representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais sobre produtos que envolvem um volume exportado estimado em US$ 15 bilhões, segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil.
No âmbito do governo brasileiro, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informaram, sob condição de anonimato, que não esperam uma reversão completa das tarifas. Eles afirmam que as negociações continuarão, com o governo buscando apresentar dados técnicos e econômicos que subsidiem o diálogo bilateral.
Os interlocutores do Planalto avaliam que a decisão do USTR tem mais motivações políticas do que técnicas e que, no máximo, podem ocorrer exceções ou reduções parciais das tarifas, mas não a revogação total da medida. Segundo essas fontes, o diálogo entre Brasília e Washington permanece aberto, com encontros previstos entre representantes dos governos de Lula e Trump.
No Ministério das Relações Exteriores, integrantes da diplomacia brasileira consideram que os documentos do USTR confirmam o caráter político da investigação baseada na Seção 301. Segundo relatos obtidos pela GloboNews, as alegações iniciais feitas em julho de 2025 são praticamente idênticas às recomendações finais de junho de 2026, indicando desconsideração dos argumentos técnicos brasileiros.
A diplomacia destaca que, apesar de uma delegação composta por representantes das áreas econômica e ambiental ter apresentado dados em Washington para contestar as acusações, todos os questionamentos foram ignorados. Entre os dados apresentados está a redução do desmatamento durante o governo Lula em comparação com a gestão anterior.
A investigação e a eventual manutenção das tarifas refletem uma complexa relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, marcada por interesses políticos e econômicos divergentes. O processo deve seguir em análise, enquanto os setores produtivos e governamentais dos dois países acompanham os desdobramentos e buscam soluções para minimizar impactos.
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Fonte: g1.globo.com
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