Tributo a doces bárbaros reúne artistas no rio para celebrar

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O show-tributo “Nosso amor aos Doces Bárbaros” reuniu no dia 25 de junho de 2026, no clube Manouche, no Rio de Janeiro, um espetáculo que resgatou o espírito do quarteto baiano formado em 1976. Guilherme Borges, Maíra, Simone Mazzer e Verônica Bonfim apresentaram um repertório baseado no álbum ao vivo “Doces Bárbaros”, lançado há 50 anos, em meio à ditadura militar brasileira, em um momento de resistência cultural e política.

O show-tributo buscou reafirmar a importância política e cultural do grupo original, que na década de 1970 promoveu a liberdade e o afeto como formas de enfrentar a repressão do regime autoritário. Embora o país viva um contexto democrático, ameaças às liberdades individuais e coletivas ainda motivam a manutenção dessa memória.

No palco do Manouche, os quatro artistas seguiram o repertório do álbum de 1976, sem se prender à ordem das músicas ou à reprodução exata do original. Em vez disso, criaram uma interpretação original, com gestos e signos que remetem ao grupo, mas que refletem a liberdade e o coletivo na cena. Os figurinos, assinados por Brunna Napoleão, trouxeram referências à estética hippie, enquanto a direção artística de Iasmin Patacho e Yasmin Lima estabeleceu a dinâmica e a coreografia do espetáculo.

O desempenho vocal e cênico das três mulheres, todas atrizes e cantoras, destacou-se especialmente nos duetos, como “Eu te amo”, em que Maíra e Simone Mazzer incorporaram elementos simbólicos presentes na apresentação original. Guilherme Borges comandou a direção musical com suporte de um trio instrumental formado por guitarra, baixo e bateria, alinhando a sonoridade ao estilo dos Doces Bárbaros, que combinava rock e influências variadas.

O repertório incluiu canções emblemáticas como “Nós, por exemplo” e “Chuckberry fields forever”, assim como a interpretação de “Atiraste uma pedra”, que trouxe um samba-canção com referência à era do rádio. A interpretação de Simone Mazzer em “Um índio” recebeu destaque por sua força vocal e expressividade.

A energia coletiva do grupo se manifestou em momentos de intimidade no palco, como em “Esotérico”, e em cantos conjuntos, como “Fé cega, faca amolada” e “Os mais doces bárbaros”, que fecharam o show no bis. O espetáculo conseguiu evocar o clima de contracultura e desbunde associado ao quarteto original, sem tentar imitá-lo diretamente.

Ao final da apresentação, o hasteamento de uma bandeira com as cores do Brasil e a frase “Livre para amar” reforçou o caráter político e cultural do evento, alinhando a mensagem do tributo ao contexto atual. A abertura com “As Ayabás”, uma das composições que destaca a matriz africana na música brasileira, indicou a profundidade e a diversidade do repertório apresentado.

O tributo realizado por Guilherme Borges, Maíra, Simone Mazzer e Verônica Bonfim recuperou o espírito dos Doces Bárbaros ao reafirmar o encontro musical como ato de resistência pacífica. Em um cenário de ameaças às liberdades, o show lembrou a importância da arte como instrumento de afirmação e de memória política.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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