No Vão do Paranã, no nordeste de Goiás, agricultores familia

Imagem: s2-g1.glbimg.com

No Vão do Paranã, no nordeste de Goiás, agricultores familiares estão transformando uma região antes marcada pela seca e pobreza em um polo de produção de frutas graças a investimentos em irrigação e assistência técnica. O projeto, iniciado há alguns anos e financiado pela Codevasf, já beneficia 80 produtores rurais e tem o objetivo de alcançar 250 famílias e irrigar 500 hectares.

A agricultora Júlia Pereira de Andrade relata que passou dois anos sem água na sua propriedade, situação comum na região conhecida como “corredor da miséria”. Após a perfuração de um poço artesiano, ela passou a produzir maracujá e manga em sua chácara, garantindo renda para a família. “Eu ajoelhei e pedi muito a Deus para que me desse água”, lembra.

A região do Vão do Paranã favorece o acúmulo de água subterrânea devido ao relevo formado pela Chapada dos Veadeiros e pela Serra Geral de Goiás, o que facilita a abertura de poços para irrigação. Com essa água, os agricultores passam a ter produção durante o ano inteiro, mesmo na seca rigorosa do Cerrado.

O modelo adotado prevê que cada produtor cultive dois hectares: um hectare de maracujá, de ciclo curto e retorno financeiro em seis meses, e um hectare de manga, que começa a produzir em aproximadamente quatro anos e permanece produtivo por décadas. A produtividade do maracujá já chega a 30 toneladas por safra em algumas propriedades, o dobro da média nacional.

Júlia informa que em dois meses de venda de maracujá e abóbora conseguiu faturar cerca de R$ 15 mil, valor usado para pagar o financiamento do pomar e melhorar a infraestrutura da propriedade. Outros agricultores investiram em energia solar e equipamentos para a residência.

O projeto também contribui para a permanência dos jovens na zona rural. Daniel Rodrigues, de 19 anos e formado em agropecuária, decidiu seguir na atividade familiar após a implantação do sistema irrigado. Ele planeja ampliar o plantio para garantir uma renda estável no futuro, sem precisar trabalhar em outras atividades fora da fazenda.

Apesar dos avanços, os produtores enfrentam dificuldades para comercializar a produção, já que não contam com compradores fixos e dependem de atravessadores. Para superar esse problema, os agricultores criaram uma cooperativa e aguardam a conclusão de uma agroindústria financiada pelo governo estadual. A expectativa é que maracujá e manga sejam processados localmente e transformados em polpas, agregando valor à produção.

O investimento total do projeto soma R$ 23 milhões, aplicado na compra de kits de irrigação, assistência técnica e infraestrutura. Além de Goiás, o modelo está previsto para ser replicado em comunidades rurais da Bahia, Mato Grosso e Minas Gerais.

Agricultores como Edgar Rodrigues, que se define como pequeno empresário rural, enxergam perspectivas para o futuro. Ele afirma que pretende expandir a venda de mangas para mercados internacionais, como os Estados Unidos.

O projeto no Vão do Paranã evidencia como a irrigação e o suporte técnico podem alterar a realidade econômica e social de regiões historicamente afetadas por secas e baixos índices de desenvolvimento, transformando um antigo “corredor da miséria” em um polo de fruticultura no interior de Goiás.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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