MacBook Neo exibido em evento da Apple em Nova York nesta quarta (04)
Shannon Stapleton/Reuters
A Apple aumentou nesta quinta-feira (25) os preços de iPads e MacBooks, afirmando que não consegue mais proteger os consumidores da forte alta nos custos de chips de memória e armazenamento, impulsionada pela expansão dos data centers voltados à inteligência artificial.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A medida não afeta o iPhone, principal fonte de receita da empresa. No entanto, eleva o preço inicial do MacBook Neo, seu notebook mais barato, voltado para competir com laptops acessíveis com Windows e Chromebooks, de US$ 599 (cerca de R$ 3.133) para US$ 699 (cerca de R$ 3.656), apenas alguns meses após o lançamento.
O reajuste mostra que nem mesmo a empresa de eletrônicos de consumo mais valiosa do mundo — conhecida por sua cadeia de suprimentos altamente eficiente — conseguiu escapar da disparada nos preços da memória, que já prejudica as perspectivas de vendas de smartphones e computadores.
Agora no g1
“Nunca vimos um aumento no preço de um componente tão grande e tão rápido”, afirmou a Apple em comunicado. “Até agora conseguimos absorver esses custos, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a reajustar os preços de diversos produtos, incluindo os iPads e Macs dos hoje.”
Segundo os novos preços publicados no site da empresa:
O MacBook Air com 512 GB de armazenamento passou de US$ 1.099 (cerca de R$ 5.748) para US$ 1.299 (cerca de R$ 6.796);
O MacBook Pro com 1 TB passou de US$ 1.699 (cerca de R$ 8.888) para US$ 1.999 (cerca de R$ 10.457);
O iPad Air com 128 GB subiu de US$ 599 (cerca de R$ 3.133) para US$ 749 (cerca de R$ 3.918), entre outros reajustes.
Em abril, a Apple já havia informado que seus estoques existentes ajudaram a manter a margem de lucro acima das expectativas do mercado, mas alertou que o aumento dos custos da memória começaria a impactar os resultados a partir do fim de junho.
“Esperamos custos significativamente mais altos com memória”, afirmou o CEO Tim Cook durante conferência com analistas no fim de abril.
“Embora não façamos previsões além do trimestre encerrado em junho, posso dizer que acreditamos que os custos de memória terão um impacto cada vez maior sobre nossos negócios”, acrescentou.
Alta da memória pressiona fabricantes de eletrônicos
A Apple não detalhou quais outras medidas, além do aumento de preços, está adotando para enfrentar os custos crescentes da memória. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a empresa afirmou:
“Sabemos que essa não é uma notícia bem-vinda e estamos trabalhando incansavelmente para encontrar soluções.”
Os preços da memória DRAM — utilizada em praticamente todos os dispositivos eletrônicos modernos — subiram até 98% no primeiro trimestre de 2026 e devem avançar entre 58% e 63% no trimestre atual, segundo a consultoria TrendForce.
O fenômeno, apelidado por alguns especialistas de “RAMageddon”, é resultado do boom na construção de data centers para inteligência artificial. Empresas como a Nvidia firmaram contratos de longo prazo com fabricantes de memória, que correm para ampliar sua capacidade de produção.
Na quarta-feira, a Micron informou ter fechado US$ 22 bilhões em compromissos de longo prazo com clientes interessados em garantir o fornecimento desses componentes.
O aumento dos custos deve pesar sobre as vendas de eletrônicos neste ano. A consultoria IDC estima que o mercado global de smartphones registrará sua maior queda anual da história, com retração próxima de 14%, enquanto o mercado de PCs deverá encolher 11,3%.
Um dos poucos destaques positivos vinha sendo justamente o MacBook Neo, lançado em março. O modelo ajudou a impulsionar as projeções de vendas da Apple para o trimestre encerrado em junho e levou analistas a revisar para cima suas estimativas para o mercado de computadores.
Com o reajuste, porém, o notebook perde a vantagem de US$ 100 que tinha sobre o Dell XPS 13, lançado no mês passado por US$ 699 para competir diretamente com o Neo. Além disso, passa a custar mais do que alguns Chromebooks vendidos por Lenovo e Asus.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

