A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou recentemente um vídeo dividido em duas partes, no qual detalha uma desavença com o senador Flávio Bolsonaro e responde à pressão para atuar na campanha eleitoral voltada a evangélicos e mulheres. A manifestação pública ocorre menos de quatro meses antes das eleições e em meio a um cenário de desgaste de Flávio junto a esses grupos.
Integrantes do PL e pessoas próximas a Michelle afirmam que a decisão de expor o conflito tem relação direta com a mobilização do partido para ampliar o engajamento dela na campanha, especialmente após pesquisas indicarem queda da intenção de votos de Flávio entre evangélicos e mulheres. Dados da pesquisa Quaest, divulgada em junho, revelaram queda significativa nos índices de Flávio Bolsonaro alinhada à repercussão do escândalo envolvendo seus encontros com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A pressão para que Michelle Bolsonaro atuasse junto ao eleitorado evangélico chegou a ser considerada “zero” depois que ela publicou os vídeos, que revelam divergências internas e rompimento no relacionamento com Flávio. No material, ela relata que foi “humilhada” pelo senador, que, segundo ela, afirmou na sequência do caso no Ceará que Michelle “havia chegado há pouco tempo” e “não entendia de política”.
Michelle destaca que “perdoar não é o mesmo que esquecer ou querer continuar com o relacionamento”, evidenciando o distanciamento pessoal entre os dois. Na gravação, ela relata que não mantém contato com Flávio desde o fim de 2023.
O conflito surge em torno da disputa pelo comando da campanha do PL no Ceará, em que o partido buscava aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), adversário histórico de Jair Bolsonaro. Michelle criticou diretamente a negociação para formar palanque no estado com Ciro Gomes, uma atitude que teria agravado o distanciamento entre ela e Flávio.
Além das questões internas no PL, Michelle Bolsonaro é identificada como a melhor interlocutora da família com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que atua como relator do caso envolvendo Flávio e o Banco Master.
O cenário aponta para um momento de reavaliação das estratégias da campanha do PL, que enfrenta dificuldades em manter o apoio de segmentos tradicionais do eleitorado bolsonarista, sobretudo após os desdobramentos do escândalo citado.
A divulgação dos vídeos por Michelle ocorre em um contexto delicado para o grupo Bolsonaro, que tenta reorganizar sua base eleitoral a poucos meses do pleito nacional, marcado por intensas disputas internas e riscos políticos.
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Fonte: g1.globo.com
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