O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta terça-feira (23). O crescimento manteve o ritmo da expansão econômica, impulsionado principalmente pelas exportações e pelo consumo privado.
A economia argentina também avançou 0,7% em relação ao último trimestre de 2025, já com ajuste sazonal. Os setores de agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira foram os principais responsáveis pelo desempenho positivo nos três primeiros meses do ano. Por outro lado, a indústria de transformação e o comércio varejista apresentaram quedas, de 1,7% e 0,3%, respectivamente.
O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou o crescimento do consumo privado, que teve alta recorde de 2,7%, e reforçou que as exportações tiveram papel fundamental na expansão do PIB. Porém, especialistas apontam que a melhora no consumo não necessariamente indica aumento no padrão de vida da população.
O economista Andrés Asiaín, do Centro Scalabrini Ortiz, ressaltou que o aumento do consumo está ligado à mudança dos preços relativos, como o impacto do aumento dos serviços, o que eleva os gastos públicos. Além disso, observou que a redistribuição de renda favorece setores específicos, ampliando despesas com importações e turismo no exterior.
Guido Zack, diretor de Economia da Fundar, lembrou que o crescimento do consumo inclui a compra de produtos importados e gastos no exterior, que nem sempre beneficiam o comércio e as empresas locais. Por isso, o indicador pode subir sem refletir necessariamente uma melhora na qualidade de vida dos argentinos.
Investimentos nos setores de mineração e hidrocarbonetos contribuíram para a expansão econômica. A Argentina concedeu isenções tributárias e aduaneiras por 30 anos para atrair esses aportes, movendo dois dos principais motores do crescimento atual. No entanto, o desempenho desses setores contrasta com a retração observada na indústria e no comércio.
O cenário social e do mercado de trabalho permanece desafiador. A inadimplência das famílias em relação aos bancos atingiu 12,1% em abril de 2026, o maior nível em duas décadas, ante 3,7% em abril de 2025. Em resposta, bancos públicos lançaram programas para renegociar dívidas em atraso.
A taxa de desemprego ficou em 7,8% no primeiro trimestre, aumento significativo em comparação com 5,7% registrado no início do governo do presidente Javier Milei. Também subiu a informalidade no mercado de trabalho, que chegou a 44% em abril segundo o Indec.
Florencia Fiorentin, economista-chefe da Epyca Consultores, explicou que os setores ligados à mineração geram poucos empregos e dependem de exportações. Já os setores em retração empregam mais pessoas e atendem principalmente ao mercado interno, impactando o emprego e renda.
O crescimento econômico da Argentina acontece em meio a um contexto de austeridade fiscal. Desde o fim de 2023, o presidente Javier Milei implementou medidas para eliminar o déficit fiscal crônico e reduzir a inflação, que antes alcançava três dígitos. A economia cresceu 4,4% em 2025 e a expectativa é que a expansão se aproxime de 3% em 2026.
Apesar do crescimento do PIB, o quadro do mercado de trabalho, o aumento da inadimplência e a desigualdade na distribuição de renda indicam desafios a serem enfrentados para que a melhora econômica beneficie de forma mais ampla a população argentina.
—
Palavras-chave relacionadas:
PIB Argentina 2026
crescimento econômico Argentina
exportações Argentina
consumo privado Argentina
mercado de trabalho Argentina
inadimplência famílias Argentina
mineração e hidrocarbonetos Argentina
desemprego Argentina
austeridade fiscal Argentina
Javier Milei economia
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

