O governo dos Estados Unidos propôs uma tarifa

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O governo dos Estados Unidos propôs uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos importados do Brasil, medida que enfrenta resistência de empresas americanas que dependem dessas importações e defendem a exclusão dos produtos brasileiros da sobretaxa. A decisão final está prevista para julho de 2026, após um processo de consulta pública e audiência com setores afetados.

Pedras naturais brasileiras, como ametistas, ágatas e quartzos, extraídas principalmente nos estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, são parte significativa do comércio com os EUA. Empresas americanas, como a GeoCentral, que importa mais de 25% de seu portfólio do Brasil, argumentam que não existem fornecedores equivalentes em outros países que ofereçam qualidade, escala e preço similares.

A GeoCentral, sediada em Ohio e controlada pela holding familiar CM Paula, solicitou formalmente ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) a exclusão das pedras naturais brasileiras da lista de produtos sujeitos à tarifa. O CEO da CM Paula, George White, afirmou que a decisão de importar do Brasil é baseada na necessidade, dada a infraestrutura mineradora brasileira única para extração, corte e polimento em larga escala.

Além da GeoCentral, outras onze empresas e entidades setoriais enviaram manifestações ao USTR contra a sobretaxa, incluindo importadoras de madeiras específicas, distribuidores de pisos de madeira, fornecedores de pedras naturais e organizações ligadas à habitação e educação. Essas empresas alertam para o aumento de custos, perdas operacionais e redução de competitividade da indústria americana.

O histórico das tarifas já mostra efeitos negativos para a GeoCentral, que precisou cortar custos, demitir funcionários e aumentar preços no atacado após surtos anteriores de sobretaxas. Parte dessas tarifas foi suspensa pela Justiça americana, que questionou a legalidade das medidas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Atualmente, o governo mantém uma tarifa global de 10% sobre as importações, ação também alvo de disputa judicial.

A proposta do governo americano surgiu após uma investigação que acusou o Brasil de práticas que oneram ou restringem o comércio bilateral, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, combate ao desmatamento, pirataria e leis anticorrupção. A publicação da lista de produtos afetados abriu espaço para coleta de manifestações, encerradas em 1º de julho, seguido de audiência pública em 6 de julho.

Setores como pisos, construção civil, mineração, educação e habitação destacaram a inexistência de alternativas americanas capazes de substituir os produtos brasileiros, especialmente espécies de madeira e pedras naturais, que apresentam características únicas e importância estratégica para o mercado dos EUA. Organizações setoriais como a American Seed Trade Association (ASTA) também participaram do debate, ressaltando impactos para a competitividade agrícola nos Estados Unidos.

O governo brasileiro tem atuado em duas frentes para reverter a proposta: contestação técnica da investigação do USTR e esforços diplomáticos junto aos EUA. O Itamaraty informou que já enviou manifestações ao órgão americano e pode apresentar novas contribuições durante o período de consultas. O tema poderá ser abordado na agenda internacional, durante a cúpula do G7 na França, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode encontrar Donald Trump, embora não haja reunião bilateral oficial confirmada.

A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) acompanha a questão e defende o diálogo como solução para evitar conflitos comerciais. A entidade informou que realizou reuniões com autoridades brasileiras e americanas, incluindo um encontro em São Paulo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e representantes de empresas, discutindo os possíveis impactos das tarifas.

A Amcham prepara nova manifestação para o USTR, destacando o papel do Brasil como fornecedor estratégico e os riscos de substituição por concorrentes de outras regiões, principalmente da Ásia. A entidade reforça que a relação econômica entre Brasil e EUA é complementar e estratégica, e que divergências devem ser resolvidas por meio do diálogo e da cooperação para preservar o comércio, investimentos e a competitividade das empresas dos dois países.

A expectativa é que o processo seja concluído até 15 de julho de 2026, quando poderá ocorrer a implementação da tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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