A maior associação de pescados dos Estados Unidos

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A maior associação de pescados dos Estados Unidos, a National Fisheries Institute (NFI), defenderá os produtos brasileiros contra as novas tarifas propostas pelo governo Donald Trump, durante uma audiência pública marcada para o dia 6 de junho, nos EUA. A medida visa evitar uma cobrança de até 37,5% sobre os pescados brasileiros, que poderá afetar um setor importante das exportações do Brasil.

A defesa será feita com o apoio da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca). Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, informou que os argumentos a serem apresentados repetem os utilizados no ano anterior, quando o setor enfrentou tarifas de 50%. O principal ponto é que os pescados brasileiros, especialmente a tilápia, não competem diretamente com produtores americanos, pois correspondem a uma oferta de segurança para o mercado dos EUA, que depende muito das importações da China.

As propostas de tarifas foram anunciadas em 1º de junho, quando o governo americano sugeriu uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, após investigações relacionadas a desmatamento ilegal, pirataria e questões envolvendo o sistema de pagamentos PIX. No dia seguinte, foram apresentadas tarifas adicionais de 12,5% para um grupo de 60 países, incluindo o Brasil, em resposta a falhas no combate ao trabalho forçado.

Além das questões comerciais, a defesa brasileira ressaltará o cumprimento rigoroso dos protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais adotados no país. Lobo enfatizou que não há registros de trabalho infantil ou escravo nas produções brasileiras e que, diferente da pesca industrial em grande escala, a maior parte da produção nacional é artesanal, realizada por embarcações familiares com baixo impacto ambiental.

Em depoimento ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no dia 5 de maio, Bob DeHaan, diretor jurídico da NFI, alertou o governo americano sobre os efeitos negativos das tarifas na inflação local, apontando que os estoques pesqueiros dos EUA já estão explorados em seus limites sustentáveis. Ele destacou a dependência dos fornecedores americanos do mercado internacional devido a limitações climáticas e geográficas na produção nacional.

Atualmente, os pescados brasileiros representam cerca de 5% das importações americanas no segmento. Embora a China continue como o maior fornecedor, compradores dos EUA têm aumentado as aquisições do Brasil na busca por diversificação.

Sobre a exclusão dos pescados da lista de isenções das novas tarifas, Lobo explicou que o produto foi usado como moeda de troca nas negociações, devido ao seu menor valor financeiro em comparação com outras proteínas exportadas pelo Brasil. A carne bovina brasileira, por exemplo, permanece isenta mesmo diante das acusações do governo Trump, que alega uso de trabalho forçado no setor pecuário.

A indústria brasileira de pescados é altamente dependente do mercado americano. Cerca de 90% da tilápia exportada pelo Brasil é destinada aos EUA, que consomem metade das diferentes espécies brasileiras exportadas. Após enfrentar o impacto das tarifas anteriores, o setor tem investido na expansão para novos mercados.

Nos últimos anos, o Brasil abriu exportações para países asiáticos como Singapura e Taiwan, para a Austrália, e para o Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos e Catar. A China também ampliou a compra de pescados brasileiros, tornando-se um mercado relevante para o setor.

Apesar dessas iniciativas, os novos mercados ainda não compensam a queda nas vendas para os EUA. Substituir um dos maiores consumidores globais em poucos anos é um desafio para a indústria.

Em 2024, as exportações brasileiras de pescados para os EUA somaram cerca de US$ 370 milhões, valor inferior ao registrado em 2023. As projeções para 2025 indicavam uma expectativa de US$ 500 milhões, mas as novas tarifas devem impedir o crescimento previsto.

O setor permanece atento à audiência e às decisões do governo americano, buscando manter a produção e os empregos ligados à atividade.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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