Influenciadores digitais denunciam a criação de perfis por inteligência artificial (IA) que copiam seus movimentos, trejeitos e cenários para vender produtos sem autorização. As ações ocorrem principalmente em redes sociais como o TikTok e têm como objetivo o lucro por meio do comércio online.
Os “avatares de IA” utilizam vídeos públicos dos criadores para replicar sua linguagem corporal e até os ambientes onde filmam, como mobiliário residencial. Esses perfis vendem roupas, calçados, relógios e outros itens em plataformas integradas às redes sociais, como o TikTok Shop, sem consentimento dos influenciadores.
Lucas Simões Lima, conhecido como Lusca e com 2,5 milhões de seguidores no TikTok, foi um dos que identificou um clone digital. Ele percebeu que um perfil chamado “Lucas Barroso” reproduzia seus movimentos e o cenário de seu apartamento. O avatar acumulava centenas de milhares de curtidas vendendo diversos produtos.
Além da utilização indevida da imagem e do espaço pessoal, o perfil interagia com seguidores como uma pessoa real, respondendo perguntas e detalhando dados corporais falsos. Alguns usuários chegaram a demonstrar interesse afetivo pelo personagem digital. O rosto do avatar também mudava em vídeos diferentes, evidenciando a manipulação.
Essa prática contraria as diretrizes do TikTok, que proíbem o uso de avatares que se passam por pessoas reais para fins comerciais. Atualmente, não há dados claros sobre o volume de vendas realizadas por esses perfis. O caso de Lima motivou relatos semelhantes de outros influenciadores.
A dançarina Júlia Barni, com milhões de seguidores no Instagram e TikTok, afirmou que vídeos seus foram usados por IA para criar conteúdo promocional sem sua autorização. Júlia Alcoforado, do nicho fitness, também relatou ter sido alvo da “clonagem” e destacou a existência de cursos online que ensinam a praticar essas fraudes.
Esses cursos, alguns comercializados por valores baixos, prometem ensinar a criar avatares digitais a partir de fotos e vídeos de terceiros, muitas vezes retirados de bancos de imagens de plataformas como o Pinterest. O mercado aproveita a facilidade das ferramentas de IA e o crescimento do comércio eletrônico integrado às redes sociais para impulsionar essa prática.
Advogados consultados explicam que, mesmo com a ausência de legislação específica para conteúdos gerados por IA, o Código Civil protege os Direitos de Personalidade, que incluem voz, gestos, trejeitos e elementos do cenário. Ou seja, a identidade e a intimidade dos criadores são resguardadas juridicamente.
Apesar disso, o TikTok permite a venda de produtos com imagens geradas por IA, desde que o uso da tecnologia seja sinalizado claramente, não altere a aparência real dos itens e que os perfis não se façam passar por outras pessoas. A responsabilidade sobre produtos com problemas recai sobre a própria plataforma.
Para quem percebe que foi “clonado” por avatares de IA, especialistas recomendam três ações imediatas: denunciar o perfil às plataformas, registrar provas digitais usando ferramentas que guardam dados para usos judiciais e registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil para assegurar respaldo legal.
O TikTok informou que investiga casos específicos, inclusive o do influenciador Lucas Lima. A emergência desses perfis digitais reforça a necessidade de regulamentações mais robustas e o aumento da fiscalização para proteger os direitos dos criadores e dos consumidores no ambiente digital.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

