O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participa nesta terça-feira (19) de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para esclarecer a liquidação do Banco Master. A reunião ocorre em meio a investigações sobre fraude envolvendo o banco e questionamentos sobre a conduta do BC e seus dirigentes.
Ao longo de 2025, o Banco Central proibiu a compra de 58% das ações do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que ofereceu R$ 2 bilhões pela aquisição. Em novembro do ano passado, Daniel Vocaro, dono do Banco Master, foi preso acusado de vender títulos de crédito falsos. Um dia após a prisão, o BC decretou a liquidação do banco.
A audiência no Senado deve focar nos motivos e nos procedimentos adotados pelo BC na decisão de liquidação do Master. Parlamentares governistas pretendem questionar Galípolo sobre possíveis falhas ou omissões de seu antecessor, Roberto Campos Neto, na gestão do banco antes da intervenção. Essas dúvidas já foram levantadas durante a participação de Galípolo na CPI do Crime Organizado em abril.
Na CPI, Galípolo declarou que não encontrou evidências internas que apontem ações irregulares de Campos Neto desde a criação até o processo de liquidação do Banco Master. Suas respostas geraram descontentamento entre auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A oposição também deve indagar Galípolo sobre uma reunião mantida com Daniel Vocaro no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial do presidente Lula. Esse encontro, tema da CPI do Crime Organizado, envolve questionamentos sobre possíveis interferências políticas no tema.
Galípolo reafirmará que Lula o orientou a atuar de maneira rigorosa e imparcial na análise da situação do Banco Master, sem poupar ninguém. Já o presidente Lula declarou que recebeu Vocaro a pedido, sem agendamento formal, sob solicitação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que acompanhava o dono do banco.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), destacou que a audiência é fundamental para atualizar os fatos da investigação e cobrar providências do Banco Central relativas ao BRB. Calheiros afirmou que o BC pode estar repetindo erros similares aos cometidos na liquidação do Master na relação com o banco de Brasília.
Ele ressaltou que a demora na liquidação do Master é uma das falhas apontadas, além de destacar o afastamento de três diretores do Banco Central por envolvimento com o caso.
As investigações indicam que, mesmo sem o aval para a compra da maioria das ações do Master, o BRB adquiriu carteiras de crédito consideradas podres no valor de R$ 12 bilhões originadas do banco de Vocaro.
A audiência desta terça-feira deve aprofundar os debates sobre o papel do BC na crise do Banco Master, a responsabilidade da gestão atual e passada da autarquia, e as consequências para o BRB e o sistema financeiro. A expectativa é de que informações adicionais sejam apresentadas para esclarecer o andamento das investigações.
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Fonte: g1.globo.com
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