Uma expedição de ciclistas partiu nesta manhã de Cordisburgo, em Minas Gerais, para percorrer os cenários que inspiraram o escritor Guimarães Rosa a escrever “Grande Sertão: Veredas”. A viagem de 40 dias e 1,8 mil quilômetros tem o objetivo de mapear o trajeto vivido por Rosa e transformar o percurso em um guia digital.
O ponto de partida da expedição foi no Portal do Grande Sertão, onde uma cerimônia com viola e berrante marcou o início do trajeto. Após a largada, os ciclistas deixaram o asfalto para trás e seguiram por estradas de terra que cortam a região do sertão mineiro. O grupo pretende reviver os locais que serviram de inspiração para a obra literária.
A primeira parada ocorreu em uma fazenda com 140 anos, onde Guimarães Rosa se hospedou durante a viagem que deu origem ao livro. Segundo o museólogo André Luís Dutra Ferreira, Rosa foi recepcionado sob desconfiança, pois naquela época moradores temiam ser observados pelo governo devido à construção da Usina de Três Marias. “Ele dormia junto com os vaqueiros, e essa foi a única fazenda em que ele ficou em um quarto, dentro de uma casa”, explica.
Durante sua jornada, Guimarães Rosa percorreu o sertão a cavalo, registrando palavras, histórias e modos de vida da população local. Essa vivência resultou na criação de uma obra considerada fundamental da literatura brasileira. Agora, os ciclistas buscam revisitar esses lugares para preservar essa memória e oferecer ao público um caminho acessível para conhecer a região.
O engenheiro Aníbal Batista, participante da expedição, afirmou esperar reviver sensações semelhantes às descritas no livro. “Tenho esperança de passar por alguns lugares que vão me lembrar tudo que aconteceu naquela obra. Vamos ver se consigo enxergar o que Rosa enxergou também”, declarou.
A paisagem apresentada no trajeto inclui veredas escondidas, rios largos e serras amplas, elementos que aparecem nas páginas do romance. No Parque Nacional Grande Sertão Veredas, o som do buriti ao vento também é destaque, seguindo os registros do autor. O engenheiro florestal César Víctor do Espírito Santo ressaltou que a experiência aproxima os viajantes dos personagens do livro, tornando a ficção algo palpável.
Ao longo do percurso, os ciclistas interagem com a cultura e a história local, reforçando a conexão entre o livro e a realidade do sertão. Para o aposentado José Osvaldo dos Santos, participante da expedição, o caminho representa mais do que uma viagem: “Sempre estamos encontrando amigos, histórias e paisagens. Os caminhos estão aí. Sertão é do tamanho do mundo. Vamos pedalar e entrar sertão adentro”, afirmou.
Setenta anos após a publicação de “Grande Sertão: Veredas”, a expedição busca resgatar tanto a geografia quanto a memória cultural que marcaram a obra de Guimarães Rosa. O projeto pretende ampliar o acesso a esse roteiro e manter viva a história do sertão mineiro.
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Fonte: g1.globo.com
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