Vídeos com instrutores de fitness criados por inteligência artificial circulam nas redes sociais prometendo transformações corporais rápidas e resultados irreais para atrair usuários a assinaturas de aplicativos de exercícios. A prática, identificada pela BBC, tem gerado questionamentos sobre a veracidade das informações e os impactos na saúde mental dos espectadores.
O conteúdo gerado por IA tem se espalhado nas plataformas digitais nos últimos dois anos, com personagens que nunca existiram apresentando rotinas de treinamento e exibindo imagens de “antes e depois” que não correspondem à realidade. Muitos desses vídeos garantem perdas significativas de peso ou rejuvenescimento em apenas semanas, promessas que, segundo especialistas, não são cientificamente possíveis no prazo anunciado.
A Advertising Standards Authority (ASA), agência de regulação publicitária do Reino Unido, recebeu denúncias sobre esses anúncios e investiga a veracidade das alegações. Entre os exemplos estão um programa com uma falsa instrutora prometendo parecer 20 anos mais jovem em um mês, um sargento imaginário que descarta academias tradicionais e três mulheres exibindo transformações corporais irreais numa praia.
Especialistas afirmam que o avanço da inteligência artificial faz com que esses conteúdos sejam produzidos e disseminados de forma contínua, impossível de ser completamente bloqueada pelo usuário. O professor Andy Miah, da Universidade de Salford, destaca a dificuldade para o público distinguir a realidade nos conteúdos e alerta sobre os riscos gerados pelas expectativas falsas.
“Ninguém consegue desligar completamente o conteúdo gerado por IA”, explica Miah. “As promessas de resultados rápidos alimentam falsas expectativas e podem causar danos físicos e emocionais.” Segundo ele, a situação atual é “como o velho oeste” para regulamentação, sem regras claras que coíbam esse tipo de fraude.
David Fairlamb, instrutor de fitness com 30 anos de experiência, considera a substituição total do treino presencial por programas de inteligência artificial impossível. Ele destaca que a conexão pessoal e o acompanhamento são essenciais para a eficácia e segurança dos treinos. “Transformações tão rápidas quanto 28 dias simplesmente não acontecem”, afirma.
A filha de Fairlamb, Georgia Sybenga, também observa o impacto negativo para a autoestima, principalmente entre jovens. Ela alerta que os programas gerados por IA não levam em conta condições de saúde ou lesões, o que pode acarretar problemas físicos sérios para quem segue essas orientações sem supervisão adequada.
A ASA explica que não avalia especificamente se um anúncio usa IA, mas foca em coibir propagandas enganosas ou prejudiciais. O diretor de ciência de dados da agência, Adam Davison, destaca a dificuldade em identificar a presença da IA e ressalta a importância da educação dos anunciantes sobre suas responsabilidades.
Redes sociais, como Meta e TikTok, afirmam exigir a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, mas a BBC encontrou diversos vídeos sem avisos claros ou com sinais escondidos. O TikTok informou ter rotulado mais de 1,3 bilhão de vídeos criados por IA, enquanto a Meta usa ferramentas para verificar a origem do conteúdo, sem detalhar os critérios.
Usuários das plataformas expressam o desejo de ter a opção de desativar conteúdo gerado por inteligência artificial, mas as empresas não confirmam se essa função está sendo implementada. Enquanto isso, a produção desse tipo de material cresce, impulsionada pela economia da atenção e pela lógica comercial das redes sociais.
O professor Miah ressalta que a tecnologia tem seus benefícios, mas destaca a necessidade urgente de regulamentação que evite a criação de expectativas irreais e proteja os consumidores de práticas enganosas no ambiente digital.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

