Produtores do Espírito Santo adotam o cultivo de café agroecológico em meio à Mata Atlântica para unir sustentabilidade e maior valor de mercado. Essa prática ocorre principalmente em propriedades do Norte do estado, como Vila Valério, e visa melhorar a qualidade dos grãos e preservar o meio ambiente.
No sistema agroflorestal, os pés de café crescem sob sombra de árvores nativas, que proporcionam conforto térmico e protegem as plantas do sol intenso e das chuvas fortes. Esse manejo natural influencia na qualidade do café, que amadurece mais lentamente e acumula mais açúcar, segundo o produtor Dieimes Bohry, que cultiva cerca de 700 pés de café conilon nesse modelo.
O cultivo segue um calendário dividido em duas fases. Entre dezembro e abril, as copas das árvores formam uma cobertura verde sobre os cafezais. De maio a agosto, acontece a colheita, enquanto as árvores são podadas para renovar a área. A adubação é feita com esterco de animais e a matéria orgânica da poda, enriquecendo o solo sem o uso de fertilizantes químicos.
Após a colheita, os grãos passam por um processo rigoroso de seleção, que inclui lavagem para eliminar impurezas, separação dos frutos que boiam e secagem em terreiros suspensos. O café segue para descascamento e torra, procedimentos monitorados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Amostras são enviadas para análise laboratorial que avalia características físicas, sabor e aroma.
O técnico agrícola Tássio Sousa afirma que o manejo e o controle pós-colheita resultam em café de alta qualidade, com potencial para se destacar no mercado. A produção agroecológica tem alcançado preços até quatro vezes superiores aos do café cultivado de forma convencional, o que incentiva novos agricultores a adotarem o sistema.
A agricultora Luciene Pessin destaca que o café especial possui diferenciais desde o plantio e está associado à experiência de consumo, fator que justifica o preço mais alto. Além do retorno financeiro, o método agroflorestal contribui para a preservação das árvores nativas e para uma agricultura mais sustentável, conforme explica Bohry.
O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, representando cerca de 70% da produção nacional. A atividade agrícola do estado tem grande impacto econômico, com o café respondendo por 38% do PIB agrícola. São cerca de 286 mil hectares plantados em aproximadamente 49 mil propriedades rurais, em 68 municípios. Vila Valério está entre as principais regiões produtoras.
A colheita da safra 2026 deve começar em agosto, mantendo o calendário tradicional da cultura no estado. O avanço do café agroecológico mostra uma tendência de mercado que une preservação ambiental e valorização do produto capixaba.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

