A União Europeia decidiu ontem (12 de maio) vetar as importações de carne e produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026, alegando motivos de saúde pública e controle da resistência antimicrobiana. A medida repercute em Brasília como um revés político e econômico, provocado pelo contexto das tensões no setor agrícola europeu após o acordo Mercosul-UE.
Bruxelas sustenta que o Brasil não cumpre os critérios sanitários exigidos para livre comercialização de produtos sem agentes antimicrobianos usados para engorda animal. O veto ocorre em meio a preocupações globais sobre a resistência antimicrobiana, risco que a União Europeia busca mitigar por meio de controle rigoroso do uso de antibióticos na agropecuária.
No entanto, a decisão apresenta uma aparente discrepância, já que Argentina, Paraguai e Uruguai – também integrantes do Mercosul – permanecem autorizados a exportar para o bloco europeu. O governo brasileiro defende que possui um sistema de rastreabilidade e fiscalização reconhecido internacionalmente, com décadas de exportação ao mercado europeu.
A exclusão do Brasil é interpretada por especialistas como uma barreira comercial que mira o maior fornecedor do Mercosul à UE, com impacto econômico significativo e possíveis motivações políticas internas na União Europeia. Agricultores europeus pressionaram governos contra a concorrência externa, especialmente após a negociação do acordo Mercosul-UE, em vigor há poucos dias.
Para o governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, o veto representa uma “bofetada política” que desconsidera os esforços diplomáticos para firmar o pacto comercial. Em 2025, o Brasil exportou mais de 370 mil toneladas de carne bovina para a UE, totalizando cerca de 1,8 bilhão de dólares em receitas.
O veto pode afetar o abastecimento e os preços no mercado europeu, já que protege setores do campo em detrimento do consumidor urbano. A resposta brasileira inclui a apresentação de argumentos técnicos para contestar a decisão e a mobilização diplomática para tentar reverter o veto.
Além disso, o caso poderá ser analisado juridicamente pelo Tribunal de Justiça da União Europeia e, eventualmente, pela Organização Mundial do Comércio, caso o Brasil comprove que seu sistema sanitário é equivalente ao europeu e que a restrição configura barreira não tarifária injustificada.
O episódio evidencia que, embora a rastreabilidade sanitária seja um problema legítimo, a medida da UE ultrapassa o aspecto técnico e assume uma função estratégica para controlar o cenário político interno, usando a carne brasileira como moeda de troca para preservar interesses econômicos locais.
Brasília deve agora transformar sua negativa em evidências técnicas e exigir explicações da União Europeia sobre a aparente flexibilização das normas para outros fornecedores do Mercosul. O desenrolar dessa disputa indicará os limites entre saúde pública, protecionismo comercial e influência política no comércio internacional.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

