A China está implementando uma nova estratégia de autossuficiência alimentar que afeta diretamente o Brasil, principal exportador de produtos agrícolas para o país asiático. Segundo Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), essa transformação começou a se consolidar com o 15º Plano Quinquenal, que orienta o desenvolvimento da China entre 2021 e 2025, e responde à necessidade de reduzir a dependência externa, sobretudo de commodities agrícolas brasileiras.
O planejamento chinês inclui foco na segurança alimentar como parte da segurança nacional, um conceito reforçado diante da histórica presença da fome no país. A estratégia envolve a combinação de avanços tecnológicos, subsídios governamentais, aumento da produção interna e a manutenção de estoques elevados. Essas medidas já refletem na economia: nos últimos dez anos, a participação das importações no Produto Interno Bruto (PIB) da China caiu de 22% para menos de 18%.
O Brasil atualmente responde por 25% do total das importações chinesas no setor do agronegócio global. A soja e proteínas brasileiras são itens-chave para o mercado chinês. No entanto, essa dependência mútua enfrenta desafios estratégicos à medida que a China busca ampliar a autossuficiência.
Especialistas avaliam que, apesar da pressão para reduzir importações, a relação comercial entre Brasil e China deve se manter sólida no curto prazo. Larissa Wachholz destaca a importância de o Brasil pensar um posicionamento estratégico para continuar atraindo investimentos chineses, mesmo diante dessa nova dinâmica.
Além da autossuficiência alimentar, a China também aponta para um crescimento econômico mais moderado, priorizando o fortalecimento do mercado interno, em contraste com o ritmo acelerado dos anos anteriores. Essa mudança impacta diretamente países exportadores vinculados às demandas chinesas, como o Brasil.
A trégua recente entre Estados Unidos e China pode beneficiar o Brasil no curto prazo, especialmente nas exportações de soja, já que reduz tensões comerciais que poderiam prejudicar o fluxo comercial. Por outro lado, o fortalecimento tecnológico da China, incluindo sua liderança na produção de baterias para veículos elétricos e investimentos em inovação, indica que o país busca reduzir vulnerabilidades e aumentar seu controle sobre setores estratégicos.
O posicionamento da China na crise climática, associado a suas ambições industriais e comerciais, também compõe o cenário em que o Brasil deve entender onde pode inserir seu modelo econômico diante dessa potência.
O podcast “O Assunto”, produções do g1, trouxe o debate com Larissa Wachholz para discutir essa nova estratégia chinesa e suas consequências para o Brasil. O programa, apresentado por Victor Boyadjian, reforçou a relevância dessa transformação para as relações bilaterais e econômicas no contexto global.
Desde 2019, o podcast soma mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube, consolidando-se como uma fonte acessível para o público compreender temas complexos, como a mudança na relação entre Brasil e China.
A nova estratégia chinesa impõe ao Brasil um cenário de reflexão para diversificar parcerias e ajustar políticas para continuar competitivo num mercado global em transformação.
—
Palavras-chave relacionadas para SEO: China, Brasil, autossuficiência alimentar, soja, agronegócio, 15º Plano Quinquenal, segurança alimentar, segurança nacional, importações chinesas, investimentos chineses, trégua EUA-China, tecnologia chinesa, baterias veículos elétricos, crise climática, relações bilaterais Brasil-China.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

