A guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã abala, desde 2024, a imagem de Dubai como um centro financeiro seguro no Oriente Médio. Ataques iranianos com mísseis e drones no Golfo Pérsico provocaram uma queda significativa nos mercados financeiros e um recuo acentuado no turismo local.
Dubai, o segundo emirado mais rico dos Emirados Árabes Unidos, era conhecido como um polo estável para investidores e turistas. No ano anterior, cerca de 20 milhões de turistas visitaram a cidade, atraídos por ícones como o Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo. A cidade também se consolidou como um centro financeiro seguro, com políticas fiscais favoráveis que incluem imposto de renda zero para pessoas físicas e baixa tributação para empresas.
Entretanto, a escalada do conflito na região afetou diretamente a economia local. Os mercados acionários de Dubai e Abu Dhabi perderam cerca de 120 bilhões de dólares em valor em um curto período. A taxa de ocupação hoteleira despencou de 70%-80% para cerca de 20%, e o volume de voos no Aeroporto Internacional de Dubai caiu aproximadamente dois terços, segundo a consultoria Capital Economics.
Apesar de uma breve melhora durante o cessar-fogo provisório, um novo ataque iraniano ao complexo petrolífero de Fujairah, em maio de 2024, reacendeu inseguranças. Especialistas alertam que o prolongamento do impasse entre Washington e Teerã aumenta os riscos para a reputação de Dubai como um polo global de negócios.
Alguns investidores de alto patrimônio começaram a questionar a segurança do emirado e buscam alternativas em centros financeiros como Singapura e Suíça. Consultores destes países relatam aumento nas consultas de clientes baseados em Dubai, com bancos privados suíços aguardando a transferência de dezenas de bilhões de dólares do Golfo Pérsico.
Singapura e Suíça oferecem perfis distintos para investidores. Enquanto Singapura é vista como um centro para a riqueza asiática, a Suíça mantém uma tradição de neutralidade e estabilidade, atrativa para quem busca preservar capital em meio a crises geopolíticas. Esse movimento é chamado por especialistas de “hibridismo estratégico”, onde investidores mantêm operações em Dubai mas diversificam seus ativos globalmente.
O turismo, que responde por cerca de 12% da receita anual de Dubai, sofreu forte impacto devido à instabilidade. Os danos econômicos também atingem o setor imobiliário, que vinha crescendo de forma acelerada. Em março de 2024, as transações residenciais recuaram quase 20% em relação ao mês anterior, com projeções de redução adicional nos preços entre 7% e 15% para o futuro próximo.
Antes da crise, Dubai apresentava crescimento econômico sólido, com expansão do PIB estimada em 4,7% nos primeiros nove meses de 2024. O emirado também recebeu um recorde de 9.800 milionários no ano anterior, que aportaram cerca de 63 bilhões de dólares em riqueza.
Projetos audaciosos planejados pelo governo local, como a transformação do aeroporto em um dos maiores hubs do mundo até 2033, além de iniciativas inovadoras como a passarela climatizada The Loop e a instalação de recifes artificiais, sinalizam intenção de recuperação e expansão a longo prazo.
Analistas afirmam que a recuperação econômica de Dubai dependerá do estabelecimento de um cessar-fogo duradouro e da restauração da confiança global. A cidade mantém potencial para se recuperar rapidamente, apesar da atual crise que expõe vulnerabilidades no contexto geopolítico da região.
—
Palavras-chave relacionadas para SEO: Dubai, guerra no Oriente Médio, centro financeiro, Irã, turismo em Dubai, mercado imobiliário Dubai, investimento internacional, Golfo Pérsico, Singapura, Suíça, boom imobiliário, economia dos Emirados Árabes Unidos, Burj Khalifa, crise geopolítica, ataques com drones.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

