Juçara marçal e thais nicodemo lançam álbum dessemelhantes q

Imagem: s2-g1.glbimg.com

A cantora Juçara Marçal e a pianista Thais Nicodemo lançaram o álbum “Dessemelhantes” em 7 de maio, pela gravadora YB Music, em São Paulo. O trabalho reúne nove faixas de compositores alinhados à linguagem musical das artistas, explorando ruídos, dissonâncias e experimentalismos sonoros.

“Dessemelhantes” é fruto de uma parceria consolidada a partir de apresentações realizadas na capital paulista ao longo dos últimos anos. O disco expõe uma atmosfera de vanguarda desde a faixa inicial, “Isso é o que se diz, irmão”, com composição de Guilherme Held e Eduardo Climachauska.

Thais Nicodemo utiliza um piano preparado, instrumento modificado com objetos como latinhas, papéis e placas de metal em suas cordas para produzir sons inusitados. Juçara Marçal completa a sonoridade com sua voz, além de samplers e synth bass, ampliando a experimentação.

O repertório selecionado não busca músicas de sucesso ou hits comerciais. Entre as faixas está “Maria”, de Maria Beraldo, que combina elementos eruditos com efeitos sonoros e vocais para narrar uma saga autobiográfica e familiar. A presença de Beraldo no álbum reforça conexões com a tradição de vanguarda iniciada por artistas como Arrigo Barnabé nos anos 1980.

Outra referência importante é a canção “Eu lacrei”, do compositor Negro Leo, que também integra o disco. A produção é assinada por Juçara Marçal e Thais Nicodemo e preserva uma linha de invenção e experimentação constante.

O álbum apresenta momentos de delicadeza, como em “Cavaquinho”, de Rodrigo Campos, em que o piano soa como uma caixinha de música. No entanto, predomina um ambiente marcado por tensões, ruídos percussivos e dissonâncias, como em “Eu não duro” (Rômulo Fróes e Eduardo Climachauska) e em “Merecedores” (Kauê Batista).

Em “É mesmo assim”, samba de Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Rômulo Fróes, Juçara Marçal canta versos que provocam e questionam o ouvinte, reforçando o tom desafiador do trabalho.

A faixa que encerra o disco, “A gente se fode bem pra caramba”, composta por Kiko Dinucci, apresenta uma ironia resignada que resume o caráter de resistência e ruptura do projeto diante do mercado fonográfico contemporâneo, que privilegia música fácil e repetitiva.

“Dessemelhantes” se apresenta como um álbum que desnorteia e propõe novos caminhos sonoros, reafirmando a força da música experimental e da construção artística independente no cenário brasileiro atual.

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Palavras-chave: Juçara Marçal, Thais Nicodemo, Dessemelhantes, álbum experimental, piano preparado, música brasileira, música independente, YB Music, música vanguardista, música contemporânea.

Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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