Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram nesta quinta-feira (data da reunião, se conhecida) na Casa Branca para discutir questões comerciais, cooperação contra o crime organizado e mineração de minerais críticos, buscando evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros pouco mais de cinco meses antes das eleições presidenciais no Brasil.
Durante o encontro, os dois mandatários concordaram em criar um grupo de trabalho para tratar das investigações dos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que apura supostas práticas comerciais irregulares brasileiras. A iniciativa visa evitar a imposição de novas tarifas, cujo prazo de conclusão da investigação é julho, dando uma trégua de pelo menos 30 dias para negociação.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, a questão tarifária foi o único ponto de tensão na reunião, com Jamieson Greer, representante-geral de Comércio dos EUA, defendendo a manutenção das tarifas devido ao suposto alto valor médio da tarifa brasileira sobre produtos importados dos Estados Unidos. A equipe brasileira rebateu com dados que mostram um déficit americano de pelo menos US$ 20 bilhões na balança comercial bilateral.
O governo dos EUA abriu a investigação com base na Seção 301, um mecanismo legal que permite a aplicação de medidas de retaliação caso sejam identificadas práticas comerciais consideradas injustas, podendo resultar em tarifas adicionais. O governo brasileiro contesta a medida, afirmando que suas políticas estão de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio e que a Seção 301 é um instrumento unilateral incompatível com o sistema multilateral de resolução de disputas.
Outro tema discutido na reunião foi a exploração de minerais críticos, especialmente terras raras, essenciais para tecnologia e transição energética. Embora técnicos dos dois países tivessem discutido o tema anteriormente e os EUA tenham enviado uma proposta, Trump demonstrou interesse moderado no assunto durante o encontro. O Brasil destacou a aprovação recente na Câmara dos Deputados do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com o objetivo de atrair investimentos que priorizem o beneficiamento desses minerais em território nacional.
Apesar do interesse moderado manifestado por Trump, a equipe brasileira acredita que os Estados Unidos já avançaram em projetos de mineração no Brasil, citando a compra recente de uma mineradora de terras raras em Goiás por uma empresa americana. Nenhum acordo formal sobre o tema foi assinado na reunião.
A pauta do combate ao crime organizado também esteve entre os assuntos prioritários para o governo brasileiro. Lula afirmou que o tema da possível designação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não foi discutido na reunião. O presidente entregou propostas escritas aos EUA para ampliar a cooperação internacional, com foco no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.
A pressão dos EUA para rotular as facções como organizações terroristas motivou uma mobilização diplomática brasileira, que evita tal classificação por temer que ela justifique intervenções militares e policiais dos Estados Unidos em território nacional, como ocorre em outras regiões do mundo.
Durante o encontro, o Brasil apresentou uma proposta de cooperação internacional para o combate ao crime organizado, que deverá ser analisada pelos EUA sem prazo definido para resposta. Lula mencionou a intenção de criar um grupo de trabalho com países da América Latina e de outras regiões para atuar em conjunto contra cartéis e organizações criminosas, citando um centro em Manaus que reúne representantes dos países da região amazônica.
A reunião entre Lula e Trump teve como principais objetivos o adiamento da imposição de novas tarifas comerciais, o alinhamento na exploração de minerais críticos e o fortalecimento da cooperação contra o crime organizado, refletindo o interesse de ambos os países em manter relações comerciais e diplomáticas apesar das divergências em alguns pontos.
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Fonte: g1.globo.com
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