Greg Brockman, presidente e cofundador da OpenAI, descreveu em um tribunal federal na Califórnia uma reunião tensa em 2017 com Elon Musk, quando o bilionário tentou aumentar seu controle sobre a empresa de inteligência artificial. O depoimento ocorreu na segunda semana de um julgamento que discute a transição da OpenAI de uma organização sem fins lucrativos para uma empresa com modelo tradicional de negócios.
Durante o julgamento, realizado em Oakland, Brockman afirmou que Musk mudou seu comportamento de forma abrupta após sua recusa em conceder mais influência ao empresário. “Na verdade, pensei que ele ia me bater”, declarou Brockman ao júri ao relatar a reunião. Segundo ele, Musk encerrou o encontro afirmando que interromperia o financiamento da OpenAI, que havia apoiado desde a fundação em 2015.
O processo judicial foi movido por Musk contra Sam Altman, principal fundador e atual CEO da OpenAI. Musk acusa Altman de enganá-lo em milhões de dólares e de desviar a missão original da empresa, que inicialmente era sem fins lucrativos, para priorizar o lucro e interesses de investidores. A disputa ganhou força após a saída de Musk da OpenAI e o crescimento da empresa, que se tornou referência global após o lançamento do ChatGPT.
Brockman revelou ainda que, antes da saída de Musk, o bilionário tentou conquistar maior controle sobre a OpenAI. O esforço envolveu tentativas de “bajular” Brockman e o cofundador Ilya Sutskever, com mensagens internas sobre concessão de condições comerciais desfavoráveis em troca de participação. Essas comunicações foram apresentadas durante o julgamento para demonstrar o contexto das negociações internas.
O depoimento do presidente da OpenAI confirmou que Musk tinha conhecimento dos planos para a transformação da empresa, que incluiu a criação de uma divisão com fins lucrativos para captar bilhões em investimentos. A mudança no modelo de negócios aconteceu para enfrentar os altos custos de desenvolvimento da inteligência artificial, o que gerou tensões internas, sobretudo com Musk.
Outro ponto abordado no julgamento foi a participação da ex-integrante do conselho da OpenAI, Shivon Zilis, que é mãe dos gêmeos de Musk. Brockman relatou que só tomou conhecimento da paternidade por meio de informações públicas, e que Zilis informou ter tido os filhos por fertilização in vitro, mantendo uma relação descrita como “totalmente platônica” com Musk. Ele também afirmou que a ex-conselheira era confiável para controlar possíveis conflitos entre Musk e a empresa.
Zilis deixou o conselho da OpenAI em março de 2023, pouco antes do lançamento da xAI, a empresa de inteligência artificial fundada por Musk que tem como objetivo competir diretamente com o ChatGPT.
O julgamento, previsto para durar um mês, deve discutir as implicações jurídicas da mudança no modelo de negócios da OpenAI e as acusações de Musk sobre quebra de confiança e alinhamento com os valores originais da organização. A expectativa é que depoimentos como o de Brockman e de outros envolvidos ajudem a esclarecer os interesses e decisões que levaram à disputa bilionária na área de tecnologia e inteligência artificial.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

