O Banco Central informou nesta terça-feira (5) que, apesar do aumento das expectativas de inflação após o início da guerra no Oriente Médio, o ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) deve continuar. A decisão de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, na reunião da semana passada, foi considerada “mais adequada” pela instituição.
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) revelou que os eventos recentes no cenário internacional elevaram as projeções de inflação para este e os próximos anos. Mesmo assim, o Banco Central avaliou que essas condições não impedem a continuidade do processo de redução dos juros.
Na reunião, a Selic foi reduzida de 14,75% para 14,5% ao ano, marcando o segundo corte consecutivo na taxa que serve de referência para as taxas bancárias no país. No entanto, o Banco Central não indicou um caminho claro para próximos ajustes da taxa de juros.
O Copom ressaltou que o compromisso fundamental da política monetária é garantir a convergência da inflação à meta estabelecida para o horizonte relevante. Por isso, a magnitude e a duração do ciclo de calibração dos juros serão definidas conforme a incorporação de novas informações econômicas, segundo o comunicado.
Analistas do mercado financeiro projetam que o ciclo de cortes pode continuar, com a Selic fechando 2024 em 13% ao ano. Essas expectativas prevalecem mesmo com a estimativa de que a inflação medida pelo IPCA fique acima da meta central, que é de 3%.
O sistema brasileiro de política monetária funciona em torno de um regime de metas de inflação. O Banco Central ajusta a taxa Selic conforme as projeções de inflação. Se essas projeções indicam que a inflação ficará dentro da meta, a tendência é reduzir a Selic; se estiverem acima, o Copom pode manter ou aumentar a taxa.
Desde 2025, o regime de metas estabeleceu o objetivo de inflação em 3%, considerado cumprido quando o IPCA oscila entre 1,5% e 4,5%. O Banco Central toma decisões com base nas projeções futuras, já que os efeitos da taxa Selic na economia têm um atraso que pode variar de seis a 18 meses.
Atualmente, o Banco Central já projeta as condições para garantir o cumprimento da meta de inflação para o ano de 2027, considerando informações e indicadores disponíveis. Para 2025, o mercado financeiro estima um IPCA de 4%, valor acima do centro da meta.
O cenário recente, marcado pelo conflito no Oriente Médio, elevou as expectativas inflacionárias, o que influencia as decisões do Banco Central. Porém, a autoridade monetária entende que o momento ainda permite o avanço no processo de redução gradual dos juros.
Em resumo, o Banco Central mantém a postura de corte controlado da taxa Selic, acompanhando as projeções de inflação e o impacto dos eventos globais para calibrar a política monetária ao longo do tempo.
—
Palavras-chave relacionadas: Banco Central, Selic, inflação, Copom, taxa de juros, política monetária, guerra no Oriente Médio, expectativa de inflação, mercado financeiro, meta de inflação, IPCA, regime de metas, corte de juros.
Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com

