A empresa chinesa de roupas esportivas Anta busca consolidar sua presença global para enfrentar marcas como Nike e Adidas. Fundada em 1991 na cidade de Jinjiang, província de Fujian, a Anta iniciou suas operações fabricando calçados para outras companhias e agora administra mais de 12 mil lojas na China, além de expandir seus negócios para o exterior, incluindo a inauguração recente de sua primeira loja nos Estados Unidos, em Beverly Hills.
O crescimento da Anta reflete a transformação econômica da China desde a década de 1980, quando o país passou a integrar a cadeia global de produção. A província de Fujian, onde está localizada Jinjiang, tornou-se conhecida como a “capital mundial do calçado” devido à concentração de fábricas e fornecedores especializados. Jinjiang abriga milhares de fábricas e emprega um terço da população local no setor calçadista, contribuindo para quase 20% da produção global de calçados na região.
Ao longo dos anos, a Anta evoluiu de fabricante para uma marca de destaque, investindo em marketing e parcerias esportivas dentro da China. A empresa abriu capital em Hong Kong em 2007, arrecadando cerca de US$ 450 milhões, o que reforçou sua capacidade financeira para aquisições estratégicas. Entre as principais compras estão os direitos da marca Fila na China, a fabricante finlandesa Amer Sports, detentora das marcas Arc’teryx e Salomon, e uma participação na Puma, ampliando assim seu portfólio internacional.
Essa estratégia multimarca visa superar a percepção negativa frequentemente associada a produtos “made in China” nos mercados ocidentais. Ao atuar com marcas já estabelecidas, a Anta busca ampliar seu alcance sem depender exclusivamente de seu nome original, considerada ainda pouco reconhecida fora da Ásia. A empresa também conta com o patrocínio de atletas renomados, como a esquiadora freestyle Eileen Gu e jogadores de basquete da NBA, como Klay Thompson e Kyrie Irving.
O contexto internacional apresenta desafios e oportunidades para a Anta. As tensões comerciais entre China e Estados Unidos, aliadas às dificuldades enfrentadas por concorrentes como Nike e Adidas, abriram espaço para a entrada da Anta em mercados que ainda valorizam inovação e qualidade, mas permanecem resistentes a marcas chinesas. A crescente implantação de automação nas fábricas pode aumentar a eficiência e reduzir custos, beneficiando a competitividade da empresa a longo prazo.
Apesar dos planos ambiciosos, a Anta reconhece que ainda tem um caminho a percorrer para igualar-se às líderes globais do setor. A empresa adotou uma abordagem pragmática, afirmando que o mercado de roupas esportivas não é um jogo de soma zero e demonstra confiança na aceitação crescente entre os consumidores internacionais. Seu foco atual está em ampliar sua presença nos segmentos de tênis e calçados de basquete, consideradas frentes cruciais para rivalizar diretamente com Nike e Adidas.
A trajetória da Anta ilustra um movimento mais amplo de empresas chinesas que passaram de fornecedoras globais para concorrentes diretas de marcas ocidentais. Ao combinar expansão nacional robusta, aquisições estratégicas e marketing internacional, a empresa tenta consolidar um lugar no mercado global de artigos esportivos, que segue dinâmico e competitivo.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

